Alguma coisa acontece…

Eu não queria ser clichê, mas é que São Paulo tem uma coisa mágica que só entende quem sabe apreciar. E a minha cidade é o cenário perfeito de dias incríveis.

Sexta-feira almocei com o Alex e o Firmin no restaurante natural em frente ao Estadão. Que delícia é passear no centro de São Paulo! É um misto de coisas, é a lembrança da infância quando nossos avós e até pais levavam a gente para passear na “cidade” e a gente ia a lojas antigas que na época só tinha na “cidade”, é ver os prédios antigos que são nossos cartões postais, é ver a beleza por trás da decadência.

Depois, um sebo na Penha. Que tentação é visitar sebo! E eu tinha uma missão: comprar livros pro meu aluno, o Giovanni.

Sábado eu estava de bobeira pensando o que poderia fazer, quem eu poderia encontrar, etc. O Alex tinha voltado pra Campinas para trabalhar. Nem deu tempo de pensar muito, me liga o Silvio me chamando pra irmos visitar o Fernando. Mais perfeito impossível! Visitamos ele e a Lu barriguda de 5 meses: eu, Silvio, Aline, Luninha e Sâmia. Ficamos até às 3 da manhã sem perceber. Assim que é bom!

Domingo encontrei a Junia na Paulista. A Paulista de manhã é tão gostosa! Cheia de gente, mas não como de segunda a sexta. Não é cheia de gente com pressa, vestida de social, mas gente de chinelo e bermuda, com crianças, casais andando devagar. Tem menos carros passando, menos ônibus, menos lojas abertas, e tudo isso dá outro clima. E encontrar a Juninha em Sampa é meio surreal né!

Do Center 3 pro Burdog. Fui a pé, sem pressa. Ah, o doce estar sem pressa. Meu domingo continuou com o melhor cheese-salada de São Paulo (até onde eu conheço), que é o nosso querido Burdog. Com mais amigos: tarde inteira falando besteira, falando do passado, do futuro e do presente.

Tudo muito muito bom. É gente que te faz bem, te deixa leve, que faz o tempo passar e você nem perceber, que faz você querer ter mais perto. <3

Ainda não sei o que eu quero ser quando crescer.

Ah, sei lá, ainda estou sem planos a longo prazo. Tô estudando uma coisa deliciosa de estudar, que é história da arte, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer com isso. Não tenho na minha cabeça exatamente uma profissão que me empolgue plenamente: penso em algumas, mas nenhuma me completa. Aí penso que não quero me dedicar a fazer só uma coisa, mas várias.

Vi uma notícia sobre uma feira em NY com Vik Muniz. Eu descobri Vik Muniz de verdade ano passado, no festival de documentários Lo Schermo dell’Arte em Florença, quando assisti a Lixo Extraordinário (Waste Land), que registrou um dos seus trabalhos. Fantástico. Desde então passei a me interessar por tudo que se refere a ele.

Aí quando eu me interesso espontaneamente por uma coisa pela qual “devo” me interessar fico mais tranquila. Porque comigo não funciona muito isso de “peraí, deixa eu ir lá ver porque isso eu TENHO que saber”. O interesse tem que vir de dentro.

E muitas coisas relacionadas à arte me dão preguiça. É um misto de bons motivos com maus motivos. Por um lado, quando qualquer coisa fica intelectual demais, num nível que já extravasa a necessidade e o sentido, eu penso que tem coisas mais sérias no mundo para as pessoas se ocuparem. A futilidade me cansa vocês não têm ideia do quanto, e isso eu considero um motivo bom.

O motivo ruim é a preguiça derivada da ignorância, e isso é um mal que afeta muita gente, e comigo não é diferente. Então tem sim momentos preguiçosos em que eu olho um trabalho que precisa ser entendido pra ser apreciado e não estou na vibe de querer entender. E isso acontece quando penso em certos empregos nessa área. E nessa hora me pergunto “mas é isso que eu quero fazer? é pra isso que estou estudando? não.” E fico questionando minhas escolhas.

Mas essas questões somem quando vejo que tem muito a se fazer no campo das artes, que me empolga muito começar a entender e me empolga a ideia de ensinar isso aos outros. Não me interessa tanto o topo da pirâmide intelectual, em que meia dúzia debate sobre o extra conceitual, sobre o significado da pétala do girassol do Van Gogh, enquanto 90% mal sabem que Van Gogh existiu.

Aí você pergunta “então o que você quer é dar aula?” A ideia de dar aula me empolga, mas não quero só fazer isso. Quero produzir coisas, fazer algo que dê um resultado concreto. Organizar exposições, trazer artistas ao grande público e principalmente ajudar esse público a começar a entender arte me parece uma coisa legal. Mais pela segunda parte que pela primeira. Mas estando ainda no começo desse mundo ainda me parece muita areia pro meu caminhãozinho, e aí é que bate a insegurança e um pouco aquela preguiça de “hummm mas não sei se é bem isso”. Sinto falta de trabalho em equipe, e aí me parece que o que me falta é arrumar um emprego legal e trabalhar com gente boa.

Também continuo gostando bastante de design, então o que posso fazer agora é desacelerar a mente e acelerar meu estudo. Não posso mesmo fazer nada antes de terminar isso… Mas como eu queria terminar! Seria tão bom se um milagre acontecesse e eu conseguisse fazer todas as provas esse ano! Pra matar essa pendência e poder tocar a vida definitivamente. Sem provisório.

Tá chegando!

Os últimos dias foram tão intensos, tensos, ansiosos, corridos, que já pensei em tantas coisas sobre a iminente chegada do dia da minha viagem.

Eu costumo lembrar de coisas da minha vida de acordo com o lugar onde estava morando ou o colégio onde esudava. É o que geralmente me permite lembrar que idade eu tinha quando tal coisa aconteceu. Desde que vim pra Itália, minha vida pode ser dividida entre o meu primeiro e segundo ano de Itália. O primeiro, que na verdade durou 10 meses; e o segundo, que durou 1 ano e 3 meses.

E como foram anos diferentes! O primeiro foi o ano da novidade, das primeiras-várias-coisas, do estranhamento ao novo, da Junia (a irmazinha que eu adotei e me adotou), do Andrea (xará que parecia legal mas se revelou um chatovski) , do calote do fdp do Giorgio (meu primeiro quarto), da Clara (taiwanesa que morava comigo no Giorgio), da Mimosa (a louca que me alugou o segundo quarto), do Claudio (nosso tiozinho-avozinho que foi quase uma bênção, alugou o terceiro quarto), de Londres, Dublin, Paris.

O segundo foi o ano da Taryn, da Daiana, da Ana, da Carol; do Gaba, Javier, Walter e Rodrigo. São os brasileiros que passaram a fazer parte da minha vida de alguma forma. Também foi o ano da Selvaggia, do Iljà, Ottavia, Federico, Paolo, Slim, Jacopo, Ming, Rodrigo, Marika, amigos eu ganhei graças ao couchsurfing (italianos, chinês, tunísio, argentino…); a Sara; Alessio, Stefania, os espanhóis Alice e Pablo, Lorena, Veronica, Mari, a francesa Magali, as erasmus francesas Alexie, Marie-Pauline, Lolita, a californiana Julia. Foi o ano do meu trabalho, os colegas do restaurante ao lado que viraram colegas de trabalho. O calabrês burro metido a espertão Antonio, a sérvia Feiosa, as fofas Tamara (milanesa) e Valentina (abruzzesa) que moraram comigo. A querida Rosa, o Lorenzo e o dog Klaus. Foi o ano de voltar a morar no centro e saber que não quero mais sair de lá. Tive meu primeiro e único hóspede pelo couchsurfing, o potiguar Marcel, e fiquei hospedada pela segunda vez com o Alex na casa dos Daniéis, os 2 franceses que nos receberam em Paris. Conheci Genebra, Zurique, Milão, uma praia de Livorno, conheci Bologna com a minha irmã Amanda que veio me visitar.

Aprendi mais sobre outras culturas, inclusive brasileira: a Ana é gaúcha, a Carol é de Floripa, a Daiana é mineira, a Mari é de Recife, o Marcel era do Rio Grande do Norte.

Conheci por acaso uma holandesa e um italiano que se conheceram no Brasil, fazendo intercâmbio. Ela não falava italiano, ele não falava holandês: a língua em comum deles era o português. Ela falava português com sotaque do interior de São Paulo, porque foi lá que aprendeu.

Fiz várias provas, estudei muito, passei em todas, algumas com nota baixa; mas também fui aprendendo a relaxar mais.

Agora tô no Brasil, curtindo cada pequena coisa que temos de melhor, e já sentindo falta de coisas que aqui são piores. Hoje por exemplo, comi um macarrão horrível com molho pronto com uma mussarela meia-boca. Faz parte. E quando eu voltar, vai ser uma nova fase. Na Itália, vai ser a última.

(ta chegando)

Imagine alguém com dificuldade pra escrever um post de retrospectiva.

Hoje

Hoje estou cansada. Física e psicologicamente. Cansada de gente mesquinha e exploradora, cansada de gente falando bobagem, cansada de gente que fala muito e faz pouco, de gente que acha que só deve respeito e consideração às pessoas com as quais tenha alguma ligação afetiva.

Hoje eu quero dormir e sonhar com lugares lindos, com pessoas caras, com lembranças boas.

Hoje eu queria ter um guru. Uma pessoa sábia, experiente, paciente e de valores elevados, que conheça minhas virtudes e limitações. Um Mestre Yoda, um Senhor Miyagi, um Dumbledore, um Gandalf. Que compreendesse as minhas falhas e soubesse como me fazer entender as coisas.

Queria saber sempre a hora certa de mandar à merda, de tacar o foda-se, de pedir desculpas. Queria apagar da história as palavras que magoaram. Queria não ter pensado na resposta perfeita só 5 minutos depois.

Hoje eu quero dormir e sonhar com abraços, sorrisos, risadas, sorvete, bolacha calipso e pipoca. Com tardes inteiras de conversas sobre a vida, descalça deitada na grama, ouvindo o silêncio das árvores.

Hoje eu tô P da vida.

50 dias em 5

Você faz os planos, e coisas acontecem, e você se planeja de novo, e coisas acontecem, e você…

Primeiro, a saga do moleque que ia alugar meu quarto.
(Vou passar 2 meses no Brasil e estava procurando alguém pra alugar meu quarto por esse tempo, pra não ter que deixá-lo e ter que procurar outro quando voltasse).

O cara viu meu anúncio, viu as fotos, e me ligou. Fez algumas perguntas e disse que gostaria de ficar com meu quarto. Eu perguntei se ele não queria ver o quarto pessoalmente antes, e ele disse que havia visto as fotos e aquilo bastava. Achou que a minha preocupação era que ele me desse um adiantamento como garantia — até tinha essa preocupação, mas de fato eu achava que ele deveria ver o quarto primeiro antes de me dar o ok — e falou que viria a Firenze dali a alguns dias para fechar o acordo.

Disse que vinha no dia 5, depois no dia 11, e acabou vindo mesmo dia 14. Era um pugliese e estava se mudando para Firenze. Como meu quarto só estaria livre a partir do dia 6 de dezembro, tinha procurado um lugar pra ficar até lá. Tinha encontrado um, mas a pessoa queria que ele ficasse pelo menos 1 mês. Como já era dia 14, ele teria que ficar no outro até dia 14, e não estava muito interessado em pagar por 2 lugares ao mesmo tempo. Já fiquei p da vida, mas tentei um meio termo, ver se a gente dividiria o valor daquele período. Se ele não topassa eu teria que pagar, mas paciência.

A Rosa tinha oferecido que ele ficasse no sofá essas 3 semanas. Apesar de descômodo, ele até estava interessado para economizar uma grana. Ele tinha vindo direto do aeroporto e ainda ia falar com a pessoa do outro quarto. Antes eu até tinha falei pra ele do Scolopium, um lugar que as meninas ficaram e alugava quartos com banheiro por curtos períodos, onde ele pagaria menos do que na pessoa lá. Ele não se mostrou muito interessado, mas sem nenhum motivo aparente. Cá entre nós, pra mim pareceu só ignorância mesmo, aquela resistência burra a uma idéia nova. Quando voltou, disse que tinha decidido ficar no sofá mesmo. Já dormiu aqui naquela noite.

No dia seguinte, veio dizer que ia pegar o quarto da mulher lá. Não foi muito preciso, parecia ainda estar na dúvida, ainda mais sobre o que fazer sobre aqueles dias do 6 ao 14. Eu não me aguentei e disse “mas escuta, por que raios você não quer nem ver aquele que te falei? Lá vai pagar menos, é no centro, tem banheiro, etc…” Embora fosse tudo verdade, ele acho que aceitou mais por falta de argumentos que por empolgação (que até agora não entendi por que e me faz pensar que seja só uma cabeça fechada mesmo). Ele disse que ia passar lá e um dos dois iria pegar.

Independentemente disso tudo, ele tinha que voltar para fechar comigo o período de depois. Passou o dia, nada. À tarde mando um sms perguntando a que horas ele iria e ele me responde pedindo desculpas e dizendo que tinha fechado com o outro quarto até dia 24/12 e assim não poderia mais pegar meu quarto.

Ah, mas que ódio que eu fiquei… Eu sabia que não podia contar com um acordo só de boca, tanto que continuei anunciando o quarto enquanto isso. Mas acabei dando prioridade para ele, por causa do seu discurso, e deixando outras pessoas interessadas como plano B. Pensei que não seria certo se ele chegasse aqui e eu tivesse fechado com outra pessoa, mas dar prioridade pro outro tem sempre um risco: às vezes a pessoa não merece.

Dispensando os outros detalhes, acabou que eu tive que correr pra contatar as outras 2 pessoas que podiam se interessar, mas a real é que era dia 15 e eu estava sem ninguém previsto. A sorte foi que ambos ainda estavam interessados. Essa semana vem outra pessoa olhar e na segunda vem um que também disse querer fechar. Vamos torcer.

E a (não) validação das minhas matérias
A outra reviravolta foi por causa da minha ida à secretaria. Essa é mais a médio/longo prazo.

Fui ver o que era necessário para validar algumas matérias da faculdade que fiz no Brasil. Esperando que esta merda, já que me impede de pedir bolsa para a região Toscana (já sou formada e não posso pedir bolsa para outra graduação), servisse para me facilitar pelo menos um pouquinho a vida.

Bom, era o que eu já desconfiava. Os programas das disciplinas precisam estar traduzidos por um tradutor juramentado e legalizados pelo consulado.

Pronto, quando ouvi aquelas duas palavrinhas (juramentado e consulado) já estava decidido que eu não ia validar porcaria nenhuma.

Explicando: eu tenho 2 matérias de livre escolha, e era nessas que eu ia encaixar as matérias da facul brasileira. São 2 disciplinas a menos para assistir aula e fazer prova, ou seja, iria me abreviar um pouco o fim do curso.

Mas o procedimento é tão burocrático e incerto que não vale a pena. Depois de gastar tempo, dinheiro e saúde (porque ir ao consulado italiano em São Paulo é sinônimo de stress), eu ainda ia ter que fazer uma requisição (paga) na universidade aqui, para eles me validarem alguma disciplina como equivalente a alguma outra daqui, e mesmo assim não era garantido que iriam aceitar.

Toda essa dor de cabeça para não ter que cursar 2 matérias. Não que seja desagradável escolher duas matérias para estudar — o que não falta aqui é coisa interessante para estudar. A coisa ruim é que, se antes eu estava em dúvida se conseguiria me formar no início de 2013, agora é certeza que não. Ainda me faltam muitas matérias, e com mais essas duas vai ser impossível fazer tudo no ano que vem.

Agora é ir me acostumando com a idéia, tomar um vinho pra relaxar, e pensar em maneiras de levar tudo numa boa até lá.

Delícia de domingo!

Acordo sem o celular tocar, mas nem olho a hora e volto a dormir. Tinha colocado pra tocar às 10h30, mesmo achando que a essa hora já estaria acordada. Re-acordo com ele tocando as 10h30, me espreguiço e começo a pensar no que tenho pra fazer hoje — minha técnica para acordar de vez (ajuda se o que eu tenho pra fazer é legal).

Ao meio-dia vinha uma pessoa ver meu quarto, que estou alugando pelos 2 meses que vou passar no Brasil. Tinha que tomar café, e comi um pão na chapa com o resto de suco assistindo a um episódio de Two and a Half Men. Adoro!

O moço veio, depois fui tomar banho e fui pra casa da Ana, onde a Carol também já estava e íamos almoçar o arroz com linguiça e salada da Ana. Tava uma delícia. Saímos de lá e fomos para a Oblate, eu precisava terminar minha lição de casa de latim e tinha que ser lá por causa do dicionário. Perguntei às meninas se queriam ir comigo e elas toparam. Ficaram lá fazendo hora enquanto eu terminava, consegui terminar, e saindo de lá fomos dar uma volta.

Rodamos um pouquinho, tomamos sorvete na Carraia 2 e depois fomos pra casa da Ana pro lanchinho de domingo à noite, não sem antes passar no mercado e comprar pão fresquinho. E molta chiaccherata!!

Sábado
Apesar de eu ter tido que trabalhar, é sempre mais relax, porque não tenho tanto o compromisso de horário. Cheguei já mais tarde, e no almoço encontrei as meninas para comermos um kebab e depois do trabalho fomos na loja da Marcela, a argentina que tem uma loja de chás super legal e também adora uma chiaccherata. Acabamos saindo de lá eu e a Ana com um pacotinho de chá, depois de tanta explicação sobre eles. E no fim da noite ainda comemos — sempre comida! afinal o tempo passa, né? — no chunês.

Sexta
Foi gostosa também! Trabalhei só o tradicional meio período (que ultimamente tem sido mais raro) e à tarde teve aula de português, que eu praticamente não considero trabalho. Depois eram ainda 4h30 da tarde e eu tinha que fazer a tal lição de latim, mas tinha resolvido que não estava afim de fazer aquilo naquela sexta-feira. Mas estava no centro e resolvi ir à Oblate mais para dar uma olhada nos e-mails, pra não ter que voltar pra casa. Cheguei lá, não tinha computador disponível, e eu estava com o material de latim. Pensei: “já que não tem computador nem mesa, vou sentar aqui e ir procurando umas palavrinhas”. Daí já me empolguei e comecei as traduções, e quando liberou uma mesa e me sentei já estava empolgada. É bom assim: sem compromisso, sem pressa, sem pressão, sem horários.

Quando foi dando um certo horário já agitei o agora tradicional café na casa da Ana para depois. Ainda acabei mudando os planos de leve, pra ir pra casa encontrar a Taryn que estava de partida pra Londres (ela ia me levar umas coisas e eu precisava devolver outras a ela). E de lá fui para o nosso café, que na verdade é café com leite e pão com manteiga, geléia, ricota, às vezes queijo e bolo, e eu que não tomo café com leite tomo chá. Delícia!

E começo a segunda-feira leve, contente com o que me espera, e sabendo que a semana vai passar rápido e bem.

Taryn
E a Taryn foi embora! Encerra-se mais uma etapa. A Taryn me achou lendo exatamente este blog, começamos a trocar e-mails, descobrimos várias coincidências (impressionantes mesmo), e chegou em fevereiro. Agora foi pra Londres, pra uma nova aventura. Ficaremos aqui te desejando tudo de bom!

Feriado: comprinhas no cascine!

Dia 1 de novembro, dia de todos os santos, é feriado na Italia. Aqui é o inverso do Brasil, o Ognissanti é feriado e o dia de finados nao é. Isso significa que amanha meu msn vai estar vazio, o facebook e o twitter vao estar bem mais parados e hoje vou ficar lendo mensagens sobre como é legal duas sextas-feiras na semana. :-P

Nao ligo tanto. Hoje é feriado e eu to trabalhando igual. E’ uma oportunidade a mais de tentar vender e faturar algum no fim do mes.  Como nao é meu dia de trabalhar, eu decido se quero ou nao abrir a loja, e também nao tem tanta cobrança de horario. Por isso resolvi vir à tarde.

Aì de manhã fiz uma passeio super legal, fomos à feirinha do Cascine. A Carol tinha me falado que talvez elas fossem, e como é sempre de terça-feira de manha e normalmente eu trabalho, quis aproveitar. A Ana, mesma coisa. Encontrei as meninas la, e acabamos encontrando também a Mari e o Mauro amigo dela. Demos uma volta olhando tudo, foi bem bom. No fim achei uma bota que ja desde a ida à feirinha de Scandicci eu tava querendo comprar: baixa, salto de borracha e bem quentinha por dentro. Experimentei e nao resisti: praticamente fui la pensando em comprar uma bota assim. To sem foto dela agora, mas depois eu tiro.

Daì eu, a Ana e a Carol fomos pra minha casa fazer um macarrao. Almoçamos um penne com o molho de tomate que a Rosa trouxe da casa dos pais em Salerno. Molho de tomate natural, colhido da horta de casa. Nham. E de sobremesa um chocolate.

Daì tive que vir pro trabalho, onde estou agora com meu teclado sem acentos de sempre. Vou tentar começar a estudar latim.

 

Veneza, Murano e Burano

Foi legal a viagem, pus as fotos no meu picasa.

Foi bem de repente. A Déia (ela é minha xara) é a namorada de um amigo do Alex. Ela vinha viajar pela Italia e o Alex falou que eu tava aqui e tal, entao quando ela passou por Firenze a gente se encontrou. Era uma quinta à noite e ela falou que estavam indo pra Veneza no dia seguinte e me convidou pra ir com eles e ficar no quarto do hotel com ela.

Era pra eu ter ido de carro com elas (estavam com um carro alugado), mas ele acabaram saindo cedo de Firenze e eu acabei indo de trem pra encontrà-los là. Passei um perrengue na ida, era pra chegar as 19 e acabei chegando as 21. Isso era 6a feira. Encontrei com eles em Veneza (o hotel deles era em Mestre, no continente), so deu tempo de jantarmos e pegar o ultimo onibus pra voltar pro hotel. Ela me convidou pra ir porque estava sempre tendo que pegar quarto duplo. No fim justo esse era um quarto pequeno, com uma cama tipo de viuva. Mas foi tudo bem, deu pra dormir bem, na segunda noite ainda roubamos um travesseiro do quarto ao lado que estava aberto e vazio. O café da manha era otimo!

Foi bom porque no sabado fomos para Murano, a ilha dos cristais, e Burano, a ilha dos bordados, e eu nao tinha ido ainda. Também andamos de vaporetto (tem que ser pra chegar la). Andamos muito o dia inteiro, e no fim voltamos pro hotel, tomamos um banho e eu e a Deia voltamos pra Veneza pra dar uma volta. Fazia um frio do cao! Comemos um kebab, bebemos vinho e depois voltamos.

No domingo eles estavam pensando em ir conhecer algumas cidades em volta. Mas como o intercity tinha poucos horarios e eu nao queria voltar de frecciarossa (muito caro), e também porque tinha que arrumar algumas coisas em Firenze, preferi ir embora e acabei pegando o trem às 13h. Deu tempo ainda de voltar pra Veneza e dar mais uma voltinha. Acabei comprando umas mascaras de ceramica de comedia dell’arte =D

Eu até pensei em ir na Bienal no domingo, mas eu tava tao cansada e com coisas pendentes  que acabei desistindo. Nao tava no pique, se eu fosse iria chegar em Firenze depois das 10 da noite (precisava lavar roupa, ja tava grave a situaçao heheheh). Acabei chegando em casa mais de 17h. Foi bom o saldo geral.

Fotos: https://picasaweb.google.com/118114945867783103529/VenezaDeiaEDea

[teclado sem acentos]

Cada dia um novo plano

De repente mudaram todos os meus planos a curto prazo.

Eu tava fazendo 2 matérias esse semestre: história moderna, matéria de 6 créditos cujas aulas acabaram em 19 de outubro, e arte contemporânea, que vai até o fim do semestre. Acabando história eu pretendia começar a assistir as aulas de literatura italiana que começam na segunda parte do semestre e serão exatamente no mesmo horário de história.

Eu tava feliz com esse arranjamento porque ia poder cursar 3 matérias esse semestre. Ia fazer a prova de história na chamada de dezembro, fazer museologia em fevereiro quando voltasse, e o resto ia ficar pra mais pra frente. Aí, o que aconteceu:

Primeiro eu fui olhar o programa desse professor de literatura que vai começar agora. Achei chato e difícil. Se fosse só um ou outro vá lá, mas não curti. Esse professor não dava aula pro meu curso, então não sei nada sobre ele, diferete do Villoresi que já me falaram bem, que ele é bom professor e legal, e semestre passado ele deu um assunto bem legal. O curso dele vai ter só no segundo semestre e o assunto parece mais interesssante.

Junto tudo isso com o fato de que eu vou perder a última semana de aula, por causa da data da minha passagem. Então já iria perder 3 aulas de 15, mais as quartas-feiras que o horário coincide com arte contemporânea, que eu ABSOLUTAMENTE não quero perder. Então eu ia cursar meio nas coxas. Praticamente desisti. Isso foi com literatura.

Daí fui falar com a professora de história. Ela falou que eu não poderia fazer a prova em dezembro, só a partir de janeiro (muito longo de explicar). Logo, eu não iria fazer prova em dezembro. Como minha única outra prova pendente é Museologia, que eu também não consigo fazer em dezembro, acabou que — é aí que começa a ficar interessante — eu não vou ter prova nenhuma pra estudar!

Então: assistindo só as aulas de arte contemporânea, e não tendo o compromisso de estudar pra uma prova em dezembro, minha rotina vai ser bem mais light. Claro que eu tenho que começar a estudar desde já pra história e museologia, porque uma das duas — ou quem sabe as duas — eu preciso fazer em fevereiro, logo que eu voltar do Brasil. E eu sei que não vou estudar no Brasil. Então tenho que começar já. E o bom é que eu tô doida pra começar a estudar pra história, as aulas foram mais genéricas e eu preciso me aprofundar em cada um dos assuntos que a professora tratou (cada professor tem um estilo de aula e prova, e o dessa é assim).

E já que eu vou estar um pouco mais livre, pra não perder esse tempo vou fazer as aulas de preparação pra outra matéria que é Lingua e Literatura Latina, e essas aulas são pra quem nunca estudou latim e eu ia ter que fazer de qualquer jeito. Eu já fiz algumas, mas precisa de um mínimo de dedicação, fazer os exercícios de tradução e tal. Vamos ver se dá certo. Porque preciso ter uma noção boa, pra depois assistir as aulas de latim mesmo, que têm literatura também, e não é fácil.

E o bom de estudar sem a pressão da prova é que eu rendo muito mais. Me preocupo mais em entender do que em lembrar o que a professora pode perguntar. Essa prova não vai ser fácil, não. E a de arte contemporânea, bom, sobre essa eu falo em outro post. A prova mais legal e mais difícil de estudar entre todas.

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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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