Arquivo de novembro \25\UTC 2011

Hoje

Hoje estou cansada. Física e psicologicamente. Cansada de gente mesquinha e exploradora, cansada de gente falando bobagem, cansada de gente que fala muito e faz pouco, de gente que acha que só deve respeito e consideração às pessoas com as quais tenha alguma ligação afetiva.

Hoje eu quero dormir e sonhar com lugares lindos, com pessoas caras, com lembranças boas.

Hoje eu queria ter um guru. Uma pessoa sábia, experiente, paciente e de valores elevados, que conheça minhas virtudes e limitações. Um Mestre Yoda, um Senhor Miyagi, um Dumbledore, um Gandalf. Que compreendesse as minhas falhas e soubesse como me fazer entender as coisas.

Queria saber sempre a hora certa de mandar à merda, de tacar o foda-se, de pedir desculpas. Queria apagar da história as palavras que magoaram. Queria não ter pensado na resposta perfeita só 5 minutos depois.

Hoje eu quero dormir e sonhar com abraços, sorrisos, risadas, sorvete, bolacha calipso e pipoca. Com tardes inteiras de conversas sobre a vida, descalça deitada na grama, ouvindo o silêncio das árvores.

Hoje eu tô P da vida.

50 dias em 5

Você faz os planos, e coisas acontecem, e você se planeja de novo, e coisas acontecem, e você…

Primeiro, a saga do moleque que ia alugar meu quarto.
(Vou passar 2 meses no Brasil e estava procurando alguém pra alugar meu quarto por esse tempo, pra não ter que deixá-lo e ter que procurar outro quando voltasse).

O cara viu meu anúncio, viu as fotos, e me ligou. Fez algumas perguntas e disse que gostaria de ficar com meu quarto. Eu perguntei se ele não queria ver o quarto pessoalmente antes, e ele disse que havia visto as fotos e aquilo bastava. Achou que a minha preocupação era que ele me desse um adiantamento como garantia — até tinha essa preocupação, mas de fato eu achava que ele deveria ver o quarto primeiro antes de me dar o ok — e falou que viria a Firenze dali a alguns dias para fechar o acordo.

Disse que vinha no dia 5, depois no dia 11, e acabou vindo mesmo dia 14. Era um pugliese e estava se mudando para Firenze. Como meu quarto só estaria livre a partir do dia 6 de dezembro, tinha procurado um lugar pra ficar até lá. Tinha encontrado um, mas a pessoa queria que ele ficasse pelo menos 1 mês. Como já era dia 14, ele teria que ficar no outro até dia 14, e não estava muito interessado em pagar por 2 lugares ao mesmo tempo. Já fiquei p da vida, mas tentei um meio termo, ver se a gente dividiria o valor daquele período. Se ele não topassa eu teria que pagar, mas paciência.

A Rosa tinha oferecido que ele ficasse no sofá essas 3 semanas. Apesar de descômodo, ele até estava interessado para economizar uma grana. Ele tinha vindo direto do aeroporto e ainda ia falar com a pessoa do outro quarto. Antes eu até tinha falei pra ele do Scolopium, um lugar que as meninas ficaram e alugava quartos com banheiro por curtos períodos, onde ele pagaria menos do que na pessoa lá. Ele não se mostrou muito interessado, mas sem nenhum motivo aparente. Cá entre nós, pra mim pareceu só ignorância mesmo, aquela resistência burra a uma idéia nova. Quando voltou, disse que tinha decidido ficar no sofá mesmo. Já dormiu aqui naquela noite.

No dia seguinte, veio dizer que ia pegar o quarto da mulher lá. Não foi muito preciso, parecia ainda estar na dúvida, ainda mais sobre o que fazer sobre aqueles dias do 6 ao 14. Eu não me aguentei e disse “mas escuta, por que raios você não quer nem ver aquele que te falei? Lá vai pagar menos, é no centro, tem banheiro, etc…” Embora fosse tudo verdade, ele acho que aceitou mais por falta de argumentos que por empolgação (que até agora não entendi por que e me faz pensar que seja só uma cabeça fechada mesmo). Ele disse que ia passar lá e um dos dois iria pegar.

Independentemente disso tudo, ele tinha que voltar para fechar comigo o período de depois. Passou o dia, nada. À tarde mando um sms perguntando a que horas ele iria e ele me responde pedindo desculpas e dizendo que tinha fechado com o outro quarto até dia 24/12 e assim não poderia mais pegar meu quarto.

Ah, mas que ódio que eu fiquei… Eu sabia que não podia contar com um acordo só de boca, tanto que continuei anunciando o quarto enquanto isso. Mas acabei dando prioridade para ele, por causa do seu discurso, e deixando outras pessoas interessadas como plano B. Pensei que não seria certo se ele chegasse aqui e eu tivesse fechado com outra pessoa, mas dar prioridade pro outro tem sempre um risco: às vezes a pessoa não merece.

Dispensando os outros detalhes, acabou que eu tive que correr pra contatar as outras 2 pessoas que podiam se interessar, mas a real é que era dia 15 e eu estava sem ninguém previsto. A sorte foi que ambos ainda estavam interessados. Essa semana vem outra pessoa olhar e na segunda vem um que também disse querer fechar. Vamos torcer.

E a (não) validação das minhas matérias
A outra reviravolta foi por causa da minha ida à secretaria. Essa é mais a médio/longo prazo.

Fui ver o que era necessário para validar algumas matérias da faculdade que fiz no Brasil. Esperando que esta merda, já que me impede de pedir bolsa para a região Toscana (já sou formada e não posso pedir bolsa para outra graduação), servisse para me facilitar pelo menos um pouquinho a vida.

Bom, era o que eu já desconfiava. Os programas das disciplinas precisam estar traduzidos por um tradutor juramentado e legalizados pelo consulado.

Pronto, quando ouvi aquelas duas palavrinhas (juramentado e consulado) já estava decidido que eu não ia validar porcaria nenhuma.

Explicando: eu tenho 2 matérias de livre escolha, e era nessas que eu ia encaixar as matérias da facul brasileira. São 2 disciplinas a menos para assistir aula e fazer prova, ou seja, iria me abreviar um pouco o fim do curso.

Mas o procedimento é tão burocrático e incerto que não vale a pena. Depois de gastar tempo, dinheiro e saúde (porque ir ao consulado italiano em São Paulo é sinônimo de stress), eu ainda ia ter que fazer uma requisição (paga) na universidade aqui, para eles me validarem alguma disciplina como equivalente a alguma outra daqui, e mesmo assim não era garantido que iriam aceitar.

Toda essa dor de cabeça para não ter que cursar 2 matérias. Não que seja desagradável escolher duas matérias para estudar — o que não falta aqui é coisa interessante para estudar. A coisa ruim é que, se antes eu estava em dúvida se conseguiria me formar no início de 2013, agora é certeza que não. Ainda me faltam muitas matérias, e com mais essas duas vai ser impossível fazer tudo no ano que vem.

Agora é ir me acostumando com a idéia, tomar um vinho pra relaxar, e pensar em maneiras de levar tudo numa boa até lá.

Delícia de domingo!

Acordo sem o celular tocar, mas nem olho a hora e volto a dormir. Tinha colocado pra tocar às 10h30, mesmo achando que a essa hora já estaria acordada. Re-acordo com ele tocando as 10h30, me espreguiço e começo a pensar no que tenho pra fazer hoje — minha técnica para acordar de vez (ajuda se o que eu tenho pra fazer é legal).

Ao meio-dia vinha uma pessoa ver meu quarto, que estou alugando pelos 2 meses que vou passar no Brasil. Tinha que tomar café, e comi um pão na chapa com o resto de suco assistindo a um episódio de Two and a Half Men. Adoro!

O moço veio, depois fui tomar banho e fui pra casa da Ana, onde a Carol também já estava e íamos almoçar o arroz com linguiça e salada da Ana. Tava uma delícia. Saímos de lá e fomos para a Oblate, eu precisava terminar minha lição de casa de latim e tinha que ser lá por causa do dicionário. Perguntei às meninas se queriam ir comigo e elas toparam. Ficaram lá fazendo hora enquanto eu terminava, consegui terminar, e saindo de lá fomos dar uma volta.

Rodamos um pouquinho, tomamos sorvete na Carraia 2 e depois fomos pra casa da Ana pro lanchinho de domingo à noite, não sem antes passar no mercado e comprar pão fresquinho. E molta chiaccherata!!

Sábado
Apesar de eu ter tido que trabalhar, é sempre mais relax, porque não tenho tanto o compromisso de horário. Cheguei já mais tarde, e no almoço encontrei as meninas para comermos um kebab e depois do trabalho fomos na loja da Marcela, a argentina que tem uma loja de chás super legal e também adora uma chiaccherata. Acabamos saindo de lá eu e a Ana com um pacotinho de chá, depois de tanta explicação sobre eles. E no fim da noite ainda comemos — sempre comida! afinal o tempo passa, né? — no chunês.

Sexta
Foi gostosa também! Trabalhei só o tradicional meio período (que ultimamente tem sido mais raro) e à tarde teve aula de português, que eu praticamente não considero trabalho. Depois eram ainda 4h30 da tarde e eu tinha que fazer a tal lição de latim, mas tinha resolvido que não estava afim de fazer aquilo naquela sexta-feira. Mas estava no centro e resolvi ir à Oblate mais para dar uma olhada nos e-mails, pra não ter que voltar pra casa. Cheguei lá, não tinha computador disponível, e eu estava com o material de latim. Pensei: “já que não tem computador nem mesa, vou sentar aqui e ir procurando umas palavrinhas”. Daí já me empolguei e comecei as traduções, e quando liberou uma mesa e me sentei já estava empolgada. É bom assim: sem compromisso, sem pressa, sem pressão, sem horários.

Quando foi dando um certo horário já agitei o agora tradicional café na casa da Ana para depois. Ainda acabei mudando os planos de leve, pra ir pra casa encontrar a Taryn que estava de partida pra Londres (ela ia me levar umas coisas e eu precisava devolver outras a ela). E de lá fui para o nosso café, que na verdade é café com leite e pão com manteiga, geléia, ricota, às vezes queijo e bolo, e eu que não tomo café com leite tomo chá. Delícia!

E começo a segunda-feira leve, contente com o que me espera, e sabendo que a semana vai passar rápido e bem.

Taryn
E a Taryn foi embora! Encerra-se mais uma etapa. A Taryn me achou lendo exatamente este blog, começamos a trocar e-mails, descobrimos várias coincidências (impressionantes mesmo), e chegou em fevereiro. Agora foi pra Londres, pra uma nova aventura. Ficaremos aqui te desejando tudo de bom!

Feriado: comprinhas no cascine!

Dia 1 de novembro, dia de todos os santos, é feriado na Italia. Aqui é o inverso do Brasil, o Ognissanti é feriado e o dia de finados nao é. Isso significa que amanha meu msn vai estar vazio, o facebook e o twitter vao estar bem mais parados e hoje vou ficar lendo mensagens sobre como é legal duas sextas-feiras na semana. :-P

Nao ligo tanto. Hoje é feriado e eu to trabalhando igual. E’ uma oportunidade a mais de tentar vender e faturar algum no fim do mes.  Como nao é meu dia de trabalhar, eu decido se quero ou nao abrir a loja, e também nao tem tanta cobrança de horario. Por isso resolvi vir à tarde.

Aì de manhã fiz uma passeio super legal, fomos à feirinha do Cascine. A Carol tinha me falado que talvez elas fossem, e como é sempre de terça-feira de manha e normalmente eu trabalho, quis aproveitar. A Ana, mesma coisa. Encontrei as meninas la, e acabamos encontrando também a Mari e o Mauro amigo dela. Demos uma volta olhando tudo, foi bem bom. No fim achei uma bota que ja desde a ida à feirinha de Scandicci eu tava querendo comprar: baixa, salto de borracha e bem quentinha por dentro. Experimentei e nao resisti: praticamente fui la pensando em comprar uma bota assim. To sem foto dela agora, mas depois eu tiro.

Daì eu, a Ana e a Carol fomos pra minha casa fazer um macarrao. Almoçamos um penne com o molho de tomate que a Rosa trouxe da casa dos pais em Salerno. Molho de tomate natural, colhido da horta de casa. Nham. E de sobremesa um chocolate.

Daì tive que vir pro trabalho, onde estou agora com meu teclado sem acentos de sempre. Vou tentar começar a estudar latim.

 


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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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