Arquivo de dezembro \28\UTC 2011

Ainda não sei o que eu quero ser quando crescer.

Ah, sei lá, ainda estou sem planos a longo prazo. Tô estudando uma coisa deliciosa de estudar, que é história da arte, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer com isso. Não tenho na minha cabeça exatamente uma profissão que me empolgue plenamente: penso em algumas, mas nenhuma me completa. Aí penso que não quero me dedicar a fazer só uma coisa, mas várias.

Vi uma notícia sobre uma feira em NY com Vik Muniz. Eu descobri Vik Muniz de verdade ano passado, no festival de documentários Lo Schermo dell’Arte em Florença, quando assisti a Lixo Extraordinário (Waste Land), que registrou um dos seus trabalhos. Fantástico. Desde então passei a me interessar por tudo que se refere a ele.

Aí quando eu me interesso espontaneamente por uma coisa pela qual “devo” me interessar fico mais tranquila. Porque comigo não funciona muito isso de “peraí, deixa eu ir lá ver porque isso eu TENHO que saber”. O interesse tem que vir de dentro.

E muitas coisas relacionadas à arte me dão preguiça. É um misto de bons motivos com maus motivos. Por um lado, quando qualquer coisa fica intelectual demais, num nível que já extravasa a necessidade e o sentido, eu penso que tem coisas mais sérias no mundo para as pessoas se ocuparem. A futilidade me cansa vocês não têm ideia do quanto, e isso eu considero um motivo bom.

O motivo ruim é a preguiça derivada da ignorância, e isso é um mal que afeta muita gente, e comigo não é diferente. Então tem sim momentos preguiçosos em que eu olho um trabalho que precisa ser entendido pra ser apreciado e não estou na vibe de querer entender. E isso acontece quando penso em certos empregos nessa área. E nessa hora me pergunto “mas é isso que eu quero fazer? é pra isso que estou estudando? não.” E fico questionando minhas escolhas.

Mas essas questões somem quando vejo que tem muito a se fazer no campo das artes, que me empolga muito começar a entender e me empolga a ideia de ensinar isso aos outros. Não me interessa tanto o topo da pirâmide intelectual, em que meia dúzia debate sobre o extra conceitual, sobre o significado da pétala do girassol do Van Gogh, enquanto 90% mal sabem que Van Gogh existiu.

Aí você pergunta “então o que você quer é dar aula?” A ideia de dar aula me empolga, mas não quero só fazer isso. Quero produzir coisas, fazer algo que dê um resultado concreto. Organizar exposições, trazer artistas ao grande público e principalmente ajudar esse público a começar a entender arte me parece uma coisa legal. Mais pela segunda parte que pela primeira. Mas estando ainda no começo desse mundo ainda me parece muita areia pro meu caminhãozinho, e aí é que bate a insegurança e um pouco aquela preguiça de “hummm mas não sei se é bem isso”. Sinto falta de trabalho em equipe, e aí me parece que o que me falta é arrumar um emprego legal e trabalhar com gente boa.

Também continuo gostando bastante de design, então o que posso fazer agora é desacelerar a mente e acelerar meu estudo. Não posso mesmo fazer nada antes de terminar isso… Mas como eu queria terminar! Seria tão bom se um milagre acontecesse e eu conseguisse fazer todas as provas esse ano! Pra matar essa pendência e poder tocar a vida definitivamente. Sem provisório.

Tá chegando!

Os últimos dias foram tão intensos, tensos, ansiosos, corridos, que já pensei em tantas coisas sobre a iminente chegada do dia da minha viagem.

Eu costumo lembrar de coisas da minha vida de acordo com o lugar onde estava morando ou o colégio onde esudava. É o que geralmente me permite lembrar que idade eu tinha quando tal coisa aconteceu. Desde que vim pra Itália, minha vida pode ser dividida entre o meu primeiro e segundo ano de Itália. O primeiro, que na verdade durou 10 meses; e o segundo, que durou 1 ano e 3 meses.

E como foram anos diferentes! O primeiro foi o ano da novidade, das primeiras-várias-coisas, do estranhamento ao novo, da Junia (a irmazinha que eu adotei e me adotou), do Andrea (xará que parecia legal mas se revelou um chatovski) , do calote do fdp do Giorgio (meu primeiro quarto), da Clara (taiwanesa que morava comigo no Giorgio), da Mimosa (a louca que me alugou o segundo quarto), do Claudio (nosso tiozinho-avozinho que foi quase uma bênção, alugou o terceiro quarto), de Londres, Dublin, Paris.

O segundo foi o ano da Taryn, da Daiana, da Ana, da Carol; do Gaba, Javier, Walter e Rodrigo. São os brasileiros que passaram a fazer parte da minha vida de alguma forma. Também foi o ano da Selvaggia, do Iljà, Ottavia, Federico, Paolo, Slim, Jacopo, Ming, Rodrigo, Marika, amigos eu ganhei graças ao couchsurfing (italianos, chinês, tunísio, argentino…); a Sara; Alessio, Stefania, os espanhóis Alice e Pablo, Lorena, Veronica, Mari, a francesa Magali, as erasmus francesas Alexie, Marie-Pauline, Lolita, a californiana Julia. Foi o ano do meu trabalho, os colegas do restaurante ao lado que viraram colegas de trabalho. O calabrês burro metido a espertão Antonio, a sérvia Feiosa, as fofas Tamara (milanesa) e Valentina (abruzzesa) que moraram comigo. A querida Rosa, o Lorenzo e o dog Klaus. Foi o ano de voltar a morar no centro e saber que não quero mais sair de lá. Tive meu primeiro e único hóspede pelo couchsurfing, o potiguar Marcel, e fiquei hospedada pela segunda vez com o Alex na casa dos Daniéis, os 2 franceses que nos receberam em Paris. Conheci Genebra, Zurique, Milão, uma praia de Livorno, conheci Bologna com a minha irmã Amanda que veio me visitar.

Aprendi mais sobre outras culturas, inclusive brasileira: a Ana é gaúcha, a Carol é de Floripa, a Daiana é mineira, a Mari é de Recife, o Marcel era do Rio Grande do Norte.

Conheci por acaso uma holandesa e um italiano que se conheceram no Brasil, fazendo intercâmbio. Ela não falava italiano, ele não falava holandês: a língua em comum deles era o português. Ela falava português com sotaque do interior de São Paulo, porque foi lá que aprendeu.

Fiz várias provas, estudei muito, passei em todas, algumas com nota baixa; mas também fui aprendendo a relaxar mais.

Agora tô no Brasil, curtindo cada pequena coisa que temos de melhor, e já sentindo falta de coisas que aqui são piores. Hoje por exemplo, comi um macarrão horrível com molho pronto com uma mussarela meia-boca. Faz parte. E quando eu voltar, vai ser uma nova fase. Na Itália, vai ser a última.

(ta chegando)

Imagine alguém com dificuldade pra escrever um post de retrospectiva.


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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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