Ainda não sei o que eu quero ser quando crescer.

Ah, sei lá, ainda estou sem planos a longo prazo. Tô estudando uma coisa deliciosa de estudar, que é história da arte, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer com isso. Não tenho na minha cabeça exatamente uma profissão que me empolgue plenamente: penso em algumas, mas nenhuma me completa. Aí penso que não quero me dedicar a fazer só uma coisa, mas várias.

Vi uma notícia sobre uma feira em NY com Vik Muniz. Eu descobri Vik Muniz de verdade ano passado, no festival de documentários Lo Schermo dell’Arte em Florença, quando assisti a Lixo Extraordinário (Waste Land), que registrou um dos seus trabalhos. Fantástico. Desde então passei a me interessar por tudo que se refere a ele.

Aí quando eu me interesso espontaneamente por uma coisa pela qual “devo” me interessar fico mais tranquila. Porque comigo não funciona muito isso de “peraí, deixa eu ir lá ver porque isso eu TENHO que saber”. O interesse tem que vir de dentro.

E muitas coisas relacionadas à arte me dão preguiça. É um misto de bons motivos com maus motivos. Por um lado, quando qualquer coisa fica intelectual demais, num nível que já extravasa a necessidade e o sentido, eu penso que tem coisas mais sérias no mundo para as pessoas se ocuparem. A futilidade me cansa vocês não têm ideia do quanto, e isso eu considero um motivo bom.

O motivo ruim é a preguiça derivada da ignorância, e isso é um mal que afeta muita gente, e comigo não é diferente. Então tem sim momentos preguiçosos em que eu olho um trabalho que precisa ser entendido pra ser apreciado e não estou na vibe de querer entender. E isso acontece quando penso em certos empregos nessa área. E nessa hora me pergunto “mas é isso que eu quero fazer? é pra isso que estou estudando? não.” E fico questionando minhas escolhas.

Mas essas questões somem quando vejo que tem muito a se fazer no campo das artes, que me empolga muito começar a entender e me empolga a ideia de ensinar isso aos outros. Não me interessa tanto o topo da pirâmide intelectual, em que meia dúzia debate sobre o extra conceitual, sobre o significado da pétala do girassol do Van Gogh, enquanto 90% mal sabem que Van Gogh existiu.

Aí você pergunta “então o que você quer é dar aula?” A ideia de dar aula me empolga, mas não quero só fazer isso. Quero produzir coisas, fazer algo que dê um resultado concreto. Organizar exposições, trazer artistas ao grande público e principalmente ajudar esse público a começar a entender arte me parece uma coisa legal. Mais pela segunda parte que pela primeira. Mas estando ainda no começo desse mundo ainda me parece muita areia pro meu caminhãozinho, e aí é que bate a insegurança e um pouco aquela preguiça de “hummm mas não sei se é bem isso”. Sinto falta de trabalho em equipe, e aí me parece que o que me falta é arrumar um emprego legal e trabalhar com gente boa.

Também continuo gostando bastante de design, então o que posso fazer agora é desacelerar a mente e acelerar meu estudo. Não posso mesmo fazer nada antes de terminar isso… Mas como eu queria terminar! Seria tão bom se um milagre acontecesse e eu conseguisse fazer todas as provas esse ano! Pra matar essa pendência e poder tocar a vida definitivamente. Sem provisório.

2 Respostas para “Ainda não sei o que eu quero ser quando crescer.”


  1. 1 Tiago Cheregati 29/12/2011 às 21:35

    Também sofro desse processo constante de atração e repulsa pelo assunto estudado. Quer dizer, talvez repulsa seja uma palavra muito forte. Enfim, não sei se pra você é assim, cara amiga, mas já percebi que pra mim isso vem quando deixo o tema intimidar minha postura e minar o meu tesão.

    Digo… A gente não é o primeiro a estudar aquilo, e provavelmente não será o melhor que o mundo já viu. Mais: as coisas vêm acontecendo a milênios e sabe-se lá o tamanho da fração da verdade a gente sabe/estuda ou mesmo o quanto de história e informação se perdeu nesse processo todo.

    Isso pode facilmente se tornar um fardo enorme pra gente, e com a internet e as novas gerações a gente frequentemente se pergunta se não tem alguém com mais facilidade/dedicação que a gente mergulhando naquele universo e prestes a trazer resultados estupendos esfregando na nossa cara que o mundo não é a nossa ostra.

    Como eu disse, não sei se esse processo é meu ou se acontece com muita gente, mas esteja certa e serena de que está no caminho mais-que-certo ao se especializar mais e mais. O mundo é, sim, sua ostra, e por mais que tenhamos a impressão que não, o conhecimento que a gente acumula vai nos tornando cada vez mais únicos e cheios de valia para muitas atividades.

    Gosto de observar, principalmente as coisas que me inquietam, como essa. E sempre que vejo trabalhos especiais, relevantes e concretos por aí, por trás tem alguém que ralou de verdade e não parou no meio do caminho por falta de referência ou pressão por resultados rápidos. E é exatamente nessa corrida que você está.

    Por isso eu digo: estude, sim. Aprofunde, especialize-se, plante. Não esteja tão preocupada ou ansiosa com a hora certa de colher. Você ainda tem muito pela frente e cada hora que passou em frente aos livros (ou tela) valerão.

    Confie no seu conhecimento, garota. Ele vai te levar longe. Não lhe faltarão admiradores, que eu já sou um.

    Beijo e bom 2012!

  2. 2 Ana 30/12/2011 às 21:27

    oi Deia!!! passei para me atualizar! muitos beijos e saudades!


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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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