Arquivo de fevereiro \23\UTC 2012

Dia lindo em Firenze

Ainda está frio, mas hoje pela primeira vez senti calor ao sair na rua. No mais alto inverno, mesmo com o sol mais quente não dá pra sentir o calor na pele, e quando o inverno está acabando costuma ser marcante o primeiro calorzinho.

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Frio

A noite retrasada foi conturbada. Tive um sono agitado, com sonhos angustiantes, que não chegam a ser pesadelos porque não te fazem acordar e têm uma triste semelhança com a realidade.

Acordei sozinha às 8h30 com as últimas cenas do sonho ainda bem vivas na cabeça. Eu tenho colocado o celular pra tocar às 9h, enquanto não estou trabalhando ainda. Levantei, fui ao banheiro, mexi um pouco no computador e voltei pra cama. Dormi de novo e fui acordar só às 11h30, com a campainha tocando.

Eu nunca faço isso. Acordar e voltar pra cama, dormir até tarde. Eu até faço, mas é mais raro, mas por uma razão muito simples: eu gosto de dormir, mas gosto ainda mais de aproveitar o dia. E a noite. Porque quando escurece eu vou desacelerando, então à noite gosto de fazer coisas relax: ver um filme, jogar conversa fora, beber com os amigos. E se eu quiser estar livre de das obrigações (leia-se: trabalho e estudo “forçado”) até as 7 da noite, não dá pra começar meio-dia, e se eu acordo a essa hora parece que meu dia não rende.

Acontece que, com esse frio, eu não tenho vontade de sair da cama. É sério, não é óbvio, não. É mais do que isso. Eu tenho colocado o cel pra tocar às 9 mas raramente consigo sair da cama às 9. Desde que cheguei, tenho levantado entre 10 e 10h30 (isso quando não desencano de por o cel pra tocar), e quando eu voltar ao trabalho vai ser um tormento ter que levantar às 8.

Porque eu simplesmente não tenho vontade de sair da cama. É isso que o inverno faz comigo. E esse negócio mexe tanto com a minha cabeça, é tão forte a coisa, que eu iria nesse ritmo numa boa se não tivesse compromissos. Dormiria 12 horas por dia, sairia da cama só pra comer e ir ao banheiro, até o inverno acabar.

Falando assim eu pareço tanto com gente que diz a mesma coisa, mas em qualquer período do ano, que parece banal. Pra mim não é, pra mim é sério. Eu gosto do dia, do sol, da vida. As minhas atividades são o que me alimenta, e normalmente é pensar nelas que me faz levantar rapidinho. Mas no inverno, não. No inverno ele é mais forte. O frio. Reduz as minhas atividades e transforma as poucas que sobraram em obrigações não adiáveis. E daí que vem essa depressão de inverno.

Você, que está no brasiltropical, me pergunta “mas na sua casa não tem calefação?”. Eu já falei sobre isso antes no blog, mas não lembro quando. Bom, pra começar, uma casa sem calefação é praticamente uma coisa inimaginável, porque se lá fora está -3, dentro de casa sem calefação deve ficar uns 2 graus (tô chutando, mas é bem baixo) e com essa temperatura dentro de casa por 3 meses eu acho que não valeria a pena viver. :-P A casa tem calefação sim, quase todas têm, mas como ninguém aqui em casa pode gastar o salário inteiro na conta de gás, deixa-se a casa em uma temperatura pelo menos habitável. O que significa ficar com 2 ou 3 blusas, cachecol, meia e querer só tomar sopa quente.

Mas não é só a calefação que faz parte da vida do inverno europeu. As casas também têm que ser construídas de uma forma que ela mantenha o calor, e é por isso que sai tão caro na Itália manter a casa quentinha. Eu ainda não consegui uma resposta decente de por que só os apartamentos reformados têm essas características, afinal o frio europeu foi sempre esse. Janelas duplas e mais grossas, portas e janelas com vedação, acho que até a maneira que são construídas as paredes pode ser pensada para manter o calor. E como não são, a gente tem que gastar com gás para elevar a temperatura dentro de casa.

O bom, dessa vez, é que cheguei já na reta final do inverno. Ah, que delícia! Os dias já estão escurecendo mais tarde, primeiro sinal do fim do inverno. Eu nem peguei aquela fase em que 17 é noite. Em março ainda vai estar frio, mas já é um frio suportável, e só em abril voltamos a sentir algum efeito do calor do sol na pele. Depois, só em outubro!

Duas histórias de uma volta – História 2

História 2

Eles ficaram até o avião decolar. Foram para o carro e a ação comum é pegar a chave do carro no bolso. “Quem ficou com a chave?” Eu, no avião, imaginei algumas vezes o Alex levando a mão à testa e falando “Pouuuts, a chave ficou com a Déia” e minha mãe “ce tá brincando…!”

A primeira coisa que pensaram foi no serviço para terceiros da Porto Seguro que minha mãe achava que tinha. Não tinha. Não daria pra chamar o chaveiro da Porto, nem que ele pagasse pelo serviço.

Viram um chaveiro no aeroporto. Cobraria 350 reais pela cópia da chave code.

Pensaram em guinchar o carro até São Paulo, pra pelo menor tirar o carro do aeroporto e poder procurar um chaveiro na segunda-feira que cobrasse menos (sem o custo do aluguel do aeroporto ou taxa de desespero). Meu pai falou com vários tios meus, enquanto isso o Alex foi pra sala VIP do Diners para pesquisar na internet. Por fim o guincho disse que teria que abrir o carro para tirar o freio de mão, cobraria 150 do guincho + 90 para abrir o carro (sem fazer cópia da chave).

Nessa hora o Alex lembrou da multlock. Foram até o carro para ver se eu tinha trancado com ela e felizmente não tinha. Ele não sabia se tinha reserva da multlock. Do alarme era certeza que não tinha.

Nesse meio tempo meu pai ligou para a mulher dele pra tinha problema ele ir mais tarde pra casa, pois estava com o carro dela e a bolsa estava no carro. Ela concordou.
Pensaram em tudo o que fosse possível. Meu pai pensou em quebrar o vidro e de algum jeito desligar o alarme e ligar o carro. O Alex acabou achando que o melhor seria ir até Campinas e buscar a chave reserva na casa dele. Aí meu pai não acha o carro dele e foi mais um tempo rodando pelo estacionamento para achar. Quando ele achou, ele e o Alex deixaram minha mãe e meu irmão em casa e foram pra Campinas.
No caminho foram procurando um chaveiro para abrir a porta da casa do Alex. Acharam um por 90 reais. Chegaram, ele abriu a porta de casa e pegou a chave reserva e a caixa de ferramentas para cortar o alarme. Aí o Alex lembra que tínhamos tido problema no code e um mecânico em Sumaré tinha trocado alguma coisa. No caminho ele vai tentando ligar para o mecânico para ter certeza que não teriam problemas com isso. Consegue falar com o mecânico e ele diz que não trocou o code.
Chegaram em Guarulhos. Lá, começou a saga de desativar o alarme. O Alex avisa um guardinha sobre o que eles vão fazer, para evitar algum mal-entendido. O Alex finalmente abre a porta e tentam desativar o alarme. Meu pai corta a buzina para o carro parar de fazer escândalo e vai mais 1 hora até achar o alarme e dar um jeito dele parar.
Deram umas voltas no estacionamento para garantir que o alarme não cortaria a gasolina. Tudo certo, pagam o estacionamento e vão embora. O Alex acaba indo pra casa da minha mãe em São Paulo porque já eram 2h30 da manhã. Na chegada, o alarme dispara de novo e vai mais um tempo para fazer ele parar.
Mas no fim deu tudo certo. Tirando o prejú no estacionamento do aeroporto, no chaveiro, a gasolina e pedágios até Campinas, a cópia do alarme que o Alex teve que fazer e os pontos que ele quase estoura na correria pra lá e pra cá. :-\

Duas histórias de uma volta – História 1

História 1

A última semana foi bem difícil. Eu precisava não pensar que era a última semana, senão já me vinha a taquicardia, a náusea, o estômago embrulhado. Mas o coração já tinha entendido que eu tinha que voltar, e no dia da viagem, apesar da falta de fome, eu estava tranquila na medida do possível.

Fomos com o carro do Alex, eu, ele, a mãe e o Preto. Eu fui dirigindo, porque o Alex ainda estava com os pontos da cirurgia, e pra falar a verdade achei melhor eu ir fazendo alguma coisa em vez de ir olhando a já conhecida paisagem até o aeroporto. O pai iria encontrar a gente lá.

Assim que estacionamos, dei a chave do carro na mão do Alex. Eu já tinha separado tudo dele que estava comigo, com atenção especial ao documento do carro. Ele me devolveu – faltava tirar as malas do porta-malas. Claro. Peguei as malas e lá fomos.

Pulemos as despedidas e vamos para mais ou menos meia hora depois da decolagem. Comecei a ler no jornal uma reportagem sobre novas medidas para aeroportos e algo me fez lembrar que eu não tinha na cabeça a cena de ter devolvido a chave do carro. Fui olhar a bolsa e lá estava.

NÃO ACREDITEI. Foi como levar um balde de água fria. Minha cabeça começou a pensar as coisas mais malucas em frações de segundo: olhar e reolhar a chave para ver se eu não estava sonhando, se aquilo na minha mão era mesmo a chave do carro, se eu não estava me confundindo; “vou pedir pro piloto voltar”, “não, é claro que não dá pra voltar”, “então entregar pra um comissário pra ele mandar alguém ir levar”, “não, que absurdo, vê se tem algum correio veloz que passe no avião”, “será que se eu jogar a chave daqui do céu do Rio de Janeiro ou sei lá onde eu devo estar, eles conseguem pegar mais rápido?”. E por aí vai.

“Não, assim que eu chegar em Munique eu mando pelo correio mais veloz que tiver”. Não adianta, não posso fazer nada em menos de 12 horas. Nada podia ser feito. Comecei a ficar nervosa, pensando no transtorno que seria pra eles. Tinha meu pai que estava de carro, “ele pode ir com o Alex pra Campinas pra pegar a chave reserva”. “Mas acho que a chave da casa dele estava dentro do carro!” “Se estiver de pickup, a mãe e o Preto vão ter que esperar no aeroporto”. “Deve ter chaveiro no aeroporto”, “mas a chave reserva do code é caríssima”. “Ahhhh por que eu não lembrei??? Por que ninguém lembrou???”

Passei a imaginar mil vezes em mil situações diferentes a cena de mim lembrando de devolver a chave, ou vendo que ela estava comigo na sala de embarque, ou ainda dentro do avião antes de ele decolar, ia causar um pouco de transtorno mas pelo menos conseguiria devolver a chave em terra. Ahhhhhhhhh!

Fiz a única coisa que podia fazer no momento: chorei. E pensava de novo no transtorno, e nas cenas imaginadas, pus os óculos escuros e chorei até me acalmar. Bom, eles vão dar um jeito. Agora só me restava esperar o jantar pra tomar meus 2 dramins, torcer pra dormir logo e esquecer aquilo tudo. “A mãe disse que o seguro dela tem serviço de assistência pra terceiros”. “Eles vão dar um jeito”. “Por quê???????”

Ainda que mal, dormi quase o resto todo da viagem. Acordei faltando 1h30 para a chegada. A essa hora já estava conformada. Paciência. O resto foi tudo bem, voo Munique/Florença, ônibus do aeroporto pra estação, táxi da estação até em casa. Deixei as malas, fui comprar crédito pro celular pra ligar pra alguém deles e saber como tinha sido resolvido, torcendo pra terem conseguido tirar o carro do aeroporto no mesmo dia.

Minhas chaves de casa fui achar por acaso, no aeroporto de Munique, no bolso do casaco, que era o mesmo que usei para a viagem de ida e não vesti uma vez sequer no verão brasileiro. Não tinha ninguém em casa, só Klaus o cachorro e Mao o gato. Meu quarto estava lá bonitinho me esperando. A Rosa chegou 1 hora depois.

Dois dias pra por tudo em ordem: as 2 malas que eu trouxe, as malas e coisas engavetadas que tinha deixado, as coisas que a Ana me deixou de herança.

O outro lado dessa história vai no próximo post.

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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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