A noite retrasada foi conturbada. Tive um sono agitado, com sonhos angustiantes, que não chegam a ser pesadelos porque não te fazem acordar e têm uma triste semelhança com a realidade.
Acordei sozinha às 8h30 com as últimas cenas do sonho ainda bem vivas na cabeça. Eu tenho colocado o celular pra tocar às 9h, enquanto não estou trabalhando ainda. Levantei, fui ao banheiro, mexi um pouco no computador e voltei pra cama. Dormi de novo e fui acordar só às 11h30, com a campainha tocando.
Eu nunca faço isso. Acordar e voltar pra cama, dormir até tarde. Eu até faço, mas é mais raro, mas por uma razão muito simples: eu gosto de dormir, mas gosto ainda mais de aproveitar o dia. E a noite. Porque quando escurece eu vou desacelerando, então à noite gosto de fazer coisas relax: ver um filme, jogar conversa fora, beber com os amigos. E se eu quiser estar livre de das obrigações (leia-se: trabalho e estudo “forçado”) até as 7 da noite, não dá pra começar meio-dia, e se eu acordo a essa hora parece que meu dia não rende.
Acontece que, com esse frio, eu não tenho vontade de sair da cama. É sério, não é óbvio, não. É mais do que isso. Eu tenho colocado o cel pra tocar às 9 mas raramente consigo sair da cama às 9. Desde que cheguei, tenho levantado entre 10 e 10h30 (isso quando não desencano de por o cel pra tocar), e quando eu voltar ao trabalho vai ser um tormento ter que levantar às 8.
Porque eu simplesmente não tenho vontade de sair da cama. É isso que o inverno faz comigo. E esse negócio mexe tanto com a minha cabeça, é tão forte a coisa, que eu iria nesse ritmo numa boa se não tivesse compromissos. Dormiria 12 horas por dia, sairia da cama só pra comer e ir ao banheiro, até o inverno acabar.
Falando assim eu pareço tanto com gente que diz a mesma coisa, mas em qualquer período do ano, que parece banal. Pra mim não é, pra mim é sério. Eu gosto do dia, do sol, da vida. As minhas atividades são o que me alimenta, e normalmente é pensar nelas que me faz levantar rapidinho. Mas no inverno, não. No inverno ele é mais forte. O frio. Reduz as minhas atividades e transforma as poucas que sobraram em obrigações não adiáveis. E daí que vem essa depressão de inverno.
Você, que está no brasiltropical, me pergunta “mas na sua casa não tem calefação?”. Eu já falei sobre isso antes no blog, mas não lembro quando. Bom, pra começar, uma casa sem calefação é praticamente uma coisa inimaginável, porque se lá fora está -3, dentro de casa sem calefação deve ficar uns 2 graus (tô chutando, mas é bem baixo) e com essa temperatura dentro de casa por 3 meses eu acho que não valeria a pena viver.
A casa tem calefação sim, quase todas têm, mas como ninguém aqui em casa pode gastar o salário inteiro na conta de gás, deixa-se a casa em uma temperatura pelo menos habitável. O que significa ficar com 2 ou 3 blusas, cachecol, meia e querer só tomar sopa quente.
Mas não é só a calefação que faz parte da vida do inverno europeu. As casas também têm que ser construídas de uma forma que ela mantenha o calor, e é por isso que sai tão caro na Itália manter a casa quentinha. Eu ainda não consegui uma resposta decente de por que só os apartamentos reformados têm essas características, afinal o frio europeu foi sempre esse. Janelas duplas e mais grossas, portas e janelas com vedação, acho que até a maneira que são construídas as paredes pode ser pensada para manter o calor. E como não são, a gente tem que gastar com gás para elevar a temperatura dentro de casa.
O bom, dessa vez, é que cheguei já na reta final do inverno. Ah, que delícia! Os dias já estão escurecendo mais tarde, primeiro sinal do fim do inverno. Eu nem peguei aquela fase em que 17 é noite. Em março ainda vai estar frio, mas já é um frio suportável, e só em abril voltamos a sentir algum efeito do calor do sol na pele. Depois, só em outubro!

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