Começaram no dia 28 de setembro. Engraçado, muita coisa está sendo como eu achei que seria: chegar aqui no fim de agosto, ter um mês para me ambientar, prova de italiano, aulas que falam exatamente daquilo que eu adoro estudar, vários museus de graça com o documento da faculdade, visitas em grupo ao Duomo, Batistério e outros pontos turísticos com o professor! Ié! É até um pouco estranho.
O meu italiano
Eu entendo quase tudo, mas ainda não chegou aos 100%. No começo foi um pouco difícil, na verdade ainda está sendo. Tem muitos termos novos, às vezes técnicos. Tá melhorando aos poucos. Para me ajudar nisso, tô tentando ler o texto do manual (o livro de base para as aulas) antes delas, depois gravo a aula e faço anotações, e geralmente estudo depois também. Parece muito? É tanta coisa para entender, aprender, e consequentemtente saber de cor, que acaba sendo pouco.
As minhas anotações é que estão engraçadas. Uma parte em italiano, uma parte menor em português.
As aulas
Nossa, que delícia! É como eu queria: poder estudar as coisas que eu gosto, poder me dedicar (pelo menos por enquanto), ter tempo para estudar tudo com calma e com (alguma) infraestrutura.
O esquema universitário é parecido com o das nossas universidades estaduais e federais, mas com algumas diferenças. É baseado em créditos, tem matérias obrigatórias e optativas, mas eu tenho que escolher entre as que eles me oferecem para o currículo do meu curso.
Tenho que escolher, também, entre as matérias que serão disponibilizadas neste semestre, porque algumas só terão aula no semestre que vem. Eu frequento as aulas da matéria nesse semestre, que vai até dezembro, e em janeiro já faço o exame. Alguns exames são escritos, outros orais. Não é mole não!
Outra coisa: as matérias são distribuídas nos 3 anos do curso, mas não preciso fazer necessariamente na ordem que eles colocam. Se a matéria não tiver exigências (por exemplo, não é recomendado fazer história moderna antes de história medieval), posso cursar quando eu quiser, desde que os horários das aulas se encaixem.
Assim, esse semestre eu estou fazendo duas matérias obrigatórias Storia dell’Arte Medievale (história da arte medieval) e Archivistica (arquivística, que estuda os conceitos e normas para a organização e conservação de documentos), e peguei uma matéria optativa do 3o ano, Storia del Teatro e dello Spettacolo. Chato, ou não? Rá!
Eu tô curtindo muito todas as aulas, até arquivística, que é mais chato… e tô vendo que o pessoal aqui leva muito a sério esse negócio de fazer anotações e estudar para o exame.
Professores
Uma coisa que me chamou a atenção também é o respeito, ou melhor, a formalidade, que se tem com o professor. Aluno chamando o professor pelo nome é coisa que acho que não existe por aqui. Professor e aluno se falam só no modo formal.
Os meus três professores, cada um a seu modo, e dentro daquilo que a formalidade permite, são todos muito legais. E são muito bons também. Eles não costumam ser muito novos, também. A maioria parece estar perto dos 50.
Ah, e uma coisa curiosa. Cada professor tem sua sala, distribuídas conforme o departamento, bem como cada um tem um “horário de recebimento”. É um horário semanal reservado para atender os alunos, tirar dúvidas e qualquer outra coisa que o aluno quiser tratar com o professor. Uma forma organizada de o aluno encontrar o professor. (Não se empolgue, “organizado” não é um adjetivo muito frequente para os italianos).
A faculdade
O meu campus, na verdade, não é um campus. É uma porção de pequenos prédios espalhados pelo centro de Firenze. Eles todos juntos compõem o campus de humanística.
Pelo que ouvi foi o único que ficou no centrão. Todos os outros foram transferidos para polos universitários novinhos, um pouquinho afastados (pouca coisa mesmo, 15 minutos de ônibus),
Os prédios onde eu tenho aula, por sua vez, são podrões. Eu diria pouca coisa pior que a USP. É meio abandonadão, tudo velho, paredes riscadas, algumas carteiras quebradas… Mas tá tudo ali, cheio de gente, o povo usando a estrutura como dá… Pelo menos o banheiro tem papel!
No jardim do prédio principal tem maquininhas de coisas: umas 3 de café/chocolate/etc, 1 de refris, 1 de água, 1 de chocolates/biscoitos e 1 de salgadinhos/sucos. Não tem uma “cantina” (só pensei nisso agora! é verdade!).
Outras coisas
Ah! uma coisa que eu acho interessante dizer é que, pelo que vi até agora, não existe trabalho em grupo. Ou, se tiver mais pra frente, é uma coisa bem esporádica. Bem diferente dos cursos universitários brasileiros (pelo menos os particulares), em que mandar aluno fazer seminário em grupo virou uma ótima forma de os professores não terem que dar aula. Pensar nisso, aqui de longe, só faz a gente achar essa idéia ainda mais absurda e vergonhosa.
Enfim, é isso. Comecei esse post pensando em falar dos meus últimos dias que têm sido melancólicos e saudosos, mas preferi primeiro falar da parte boa. Tô até me sentindo melhor!