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Aperitivo brasileiro no Maracanã em Florença

Heheh esse título precisa de uma explicação por partes:

Aperitivo
Na Itália eles criaram uma modalidade de happy-hour que se chama aperitivo. Você paga um valor fixo pelo primeiro drink e come à vontade no buffet que o bar oferece, que pode ser maior ou menor, melhor ou pior, dependendo do bar e do valor fixo. Esse preço varia de 6 a 10 euros. Depois, se quiser beber mais, paga o preço do cardápio.

Aqui em Firenze, para mim o melhor aperitivo que fui é o do Kitsch, que está custando 8,50 euros. Por isso não vale a pena pedir refrigerante ou cerveja no primeiro pedido, a gente acaba pedindo drinks mais caros (no cardápio, uma capirinha, mojito, margarita e così via custam 7 euros). E come-se muito, é um jantar mesmo.

Sim, quase todo bar mais agitadinho tem caipirinha.

Maracanã
É o restaurante brasileiro em Firenze. Donos brasileiros, funcionários brasileiros, comida brasileira, drinks brasileiros, decoração brasileira, música brasileira. Entrar no Maracanã ontem foi como atravessar o oceano, com todo aquele verde-amarelo, a bandeira do Brasil, na tv de lcd um dvd da Ivete Sangallo e as pessoas me recepcionando em português.

A Clara – minha ex-colega de ap taiwanesa – estuda numa escola de joalheria com várias brasileiras, e foram elas que organizaram o aperitivo lá. Na verdade lá é restaurante, mas as meninas já têm amizade com o povo lá e eles fizeram o aperitivo, com pastel de carne, kibe, pão-de-queijo, risoles e coxinhas, linguiça frita e coração de galinha (blergh) e alguns canapés.

Para beber, caipirinha (claro) e guaraná antarctica.

E samba
Tá, isso não é assim um grande atrativo, pelo menos pra mim hihihih… Bom, Zeca Pagodinho e outros “sambas mesmo” eu até ouço. Um amigo delas, o Stefano, é um menino de 19 anos que fez dança de salão por 10 anos (!) e estava louco para aprender a dançar samba. A Carolina ensinou um pouco pra ele e ele saiu dançando.Ia fazer o maior sucesso no Brasil.

Daí pra frente, o Stefano foi colocando outros ritmos e a gente dançou um pouco, ele foi ensinando a gente. Me lembrou muito os tempos em que eu estava aprendendo a dançar rockabilly, quando um ensinava o outro nas baladas e nas festas. Tem um ritmo que se chama bacciata e eu tentei aprender, mas não peguei bem.

Pizzica pizzica
A italiana cujo nome eu esqueci me contou sobre a dança da região dela, a Puglia. A pizzica pizzica tem uma lenda que me fez lembrar a que eu já tinha ouvido sobre a tarantella: disse ela que naquela região existia um tipo de tarântula por toda parte, e quando as mulheres eram picadas por ela, dançavam essa dança popular a noite toda e – diz a lenda – se curavam da picada.

A tarantella, assim me explicou, é de Nápoles. E o ritmo da pizzica pizzica é bem diferente, mas muito animado! Olha que legal:

* * *
Adicionando o site do Maracanã para quem estiver por aqui: www.maracanagrill.com

 

Trabalho na Itália

Hoje eu voltei a distribuir panfletos para o mesmo café para o qual trabalhei no semestre passado. É bom trabalhar de novo! Melhor dizendo, bom ter uma fonte de renda mais garantida. Ainda que pouco.

Porque trabalhar, eu tenho trabalhado. Graças aos céus (como dizem aqui), tem vindo freela do Brasil (!!!) pra eu fazer (valeu, Ale e Gê). Mas tá fraco e incerto ainda, e se trabalhar como freela já é incerto, estando aqui é mais ainda, porque mesmo que precisem de alguém, a distância dificulta as coisas porque só pode ser trabalho que possa ser feito remotamente e nem sempre é o caso.

Então, dada a escassez, continuo procurando algo aqui. Na minha área ou não. Pra isso até reformei o portfólio, com a intenção de enviar currículo para as empresas, coisa que ainda não consegui fazer. E enquanto isso, retomei o trabalho no café, que é pouco em quantidade e grana, mas já vai ajudar.

Já falei isso aqui e para algumas pessoas, mas vale reforçar: emprego na Itália é muito difícil. Tá saturado. Até os subempregos estão saturados. Posso falar de Florença, mas vejo as pessoas falando do resto do país também. Você consegue um bom cargo com indicação de alguém.

Não existe perspectiva. A perspectiva que nós temos no Brasil. Eu vejo pessoas da minha idade, mais velhas ou mais novas, que trabalham desde sempre como garçonete, encanador, marceneiro, secretária, e não têm previsão de quando vão deixar de fazer essas coisas. Que estão estudando, mas para estudar alguma coisa, não porque esperam fazer alguma coisa com aquilo. A gente, se começa a trabalhar em subemprego, quer estudar para um dia sair daquilo. Aqui eu não vejo tanto isso. Tem, mas é mais raro.

É por isso – também – que eu quero voltar para o Brasil quando me formar. Aqui eu não tenho chance.

Não só pela saturação do mercado, mas também porque eu estou um nível abaixo do das meninas que estudam comigo. Explico. O primeiro motivo é que o estudo da arte está totalmente ligado à cultura, à história e à geografia italianas, coisa que eles aprendem desde que estão na escola, em casa, etc. O segundo é que muitas dessas pessoas fizeram o liceo artistico, que é uma das áreas de ensino médio que se pode escolher. Infelizmente nós só temos humanas, exatas, biológicas, etc. Ainda não temos um “artistico”. Quem sabe um dia.

Daí que eu tenho que ralar pra chegar no nível que é o normal deles, e isso vai me tomar alguns anos. Eu tô estudando arte italiana só há 1 ano e já avancei pra caramba! É quando a gente aprende que percebe o quanto não sabia, né? E para prosseguir com isso no Brasil, acredito que tenho muito mais campo.

Entrando para o Sistema

Tem coisas que ajudam a gente a se sentir parte do Sistema, isto é, menos à margem da sociedade, mais integrado, mais “cidadão” (com aspas mesmo). O permesso di soggiorno é o documento-mor, é ao mesmo tempo a sua identidade na Itália e a sua comprovação de que você está aqui legalmente.

Enquanto meu novo permesso não sai (quinta-feira que vem tenho que me apresentar à Questura), tem outras entidades com as quais a gente se relaciona. A primeira “carteirinha” que fiz em Firenze foi da Biblioteca delle Oblate, que dava direito a usar a internet lá (3 horas com meu lap e 1 hora nos pcs deles) e pegar emprestados livros e DVDs. O acesso à biblioteca é livre para todos, o acesso à internet também mas mediante um cadastro, e o direito a empréstimo é só para residentes. É besta, mas essa primeira carteirinha me fez “me sentir parte” da brincadeira.

Outras relações são mais necessárias, por exemplo a Agência Sanitária. A ASL (Agenzia Sanitaria Locale) é o órgão do governo que cuida da saúde pública, e é lá que eu tenho que levar o CDAM (o documento expedido pelo Ministério da Saúde no Brasil, que se refere ao acordo bilateral) para fazer um outro papel, que vale como uma carteirinha de plano de saúde aqui, para levar nos médicos e pronto-socorro, se eu precisar.

Fui lá na quinta-feira (13) e perdi 1h30. Como quase tudo na Itália, a gente chega, pega uma senha, senta e espera. É a mesma fila para quem quer agendar uma consulta. Demorou ainda mais porque o cara não achava o formulário para tal coisa, e digamos que ele não procurou com muita pressa. No final, ele pegou o meu do ano passado, tirou uma xerox, passou liquid paper e tirou outra. É.

Hoje fui na Biblioteca Nazionale para fazer outra carteirinha para pegar livro emprestado. Essa também, só é permitida para residentes. Huuaaaa! Acontece que lá tem livro que os professores pediram e na faculdade já tá emprestado.

Isso foi outra odisséia, eu ia contar mas até desisti hahahah… Consegui fazer as carteirinhas, todas do mundo, mas só vou poder pegar o livro que queria na segunda-feira, porque pra pegar livro emprestado é só das 11h às 12h30.

Ah! Eu também sou Amiga Do Louvre! É uma carteirinha que qualquer um com até 30 anos pode fazer (não lembro se precisa ter residência na Europa), você paga 30 euros e tem livre acesso ao Louvre por um ano, sem pegar fila. Eu fiz na esperança que voltaria a Paris em menos de 1 ano, no “vai que…”. Quem sabe.

Em tempo: quem tem até 25 anos e tem residência na Europa (mesmo que estrangeiro) não paga nada. Nhé.

 

Que orgulho fazer parte do Sistemê! Não repara na foto, eles tiram na hora e eu não sei há quanto tempo eu não lavava o cabelo naquele fevereiro parisiense congelante.

 

PS: quero relembrar que odeio o Sistema. É que às vezes ele é necessário.

Rotininha

Tirando uma saudade que está de matar, tô feliz com minha vida entrando de novo numa rotininha!

Tudo bem aqui na minha nova casa, tô curtindo muito! Eu ainda nem acredito que consegui alugar um quarto só pra mim, pelo preço que ia pagar num quarto dividindo! Espero que dê tudo certo por aqui. Tô com grandes esperanças de não precisar mais mudar de casa até ir embora da Europa de vez.

Aulas, biblioteca, mercado, refeições, aos poucos vai se formando uma rotina. E trabalho (os freelas que tenho feito pro Brasil), que está fazendo toda a diferença dessa vez. E fará.

Domingo fui na Ikea e comprei umas coisinhas pra deixar meu quarto feinho menos feio: duas almofadas, uma luminária, um tapete. Ah se tivesse Ikea no Brasil! É como uma Tok&Stok para todos os bolsos. Quero ter dinheiro (e algumas outras circunstâncias têm de se encaixar também) quando for pro Brasil da próxima vez, pra passar na Ikea e comprar várias coisinhas pra minha casa o Brasil.

E assim vamos…

A saga do quarto 2010

É uma coisa procurar quarto em Firenze. Uma coisa.

Por quê? Porque acha-se tudo que é preço e tudo que é quarto.

Um quarto singolo custa de 300 a 500 euros, e um quarto doppio custa de 200 a 350 euros por pessoa. Não menos que isso.

É isso mesmo, pelos mesmos 300 euros você pode achar com um quarto só pra você ou um pra ter que dividir com alguém que você nem conhece. Mas digamos que, na média, seja 250 doppio e 350 singolo.

O que varia: o tamanho do quarto, a localização, o estado do quarto e dos móveis. Principalmente os 2 primeiros. Os apartamentos no centro histórico são mais caros mesmo. Mas não pense que é regra, não! Tem muito quarto caro e longe! Tem quarto barato que é bagulho, aliás é o que mais tem.

Outras vezes, o quarto é até OK, mas a pessoa é maluca.

É pior que procurar carro usado. Meu vô dizia que carro usado não se olha a cor. Então, é muito difícil achar um quarto do jeito que a gente quer, por um preço que se possa pagar. Daí a minha insegurança quando encontro um quarto que eu gostei-mas-não-muito: eu não sei se estou sendo exigente demais, ou se é a minha intuição dizendo que aquele lugar não é pra mim. E o medo de deixar passar, porque o quarto não entra em um dos pré-requisitos, e depois não encontrar outro melhor e pensar “devia ter ficado com aquele mesmo”. Por duas vezes eu aluguei no desespero um lugar que não era bem o que eu queria, porque me bateu esse medo na hora, e eu me arrependi amargamente. Sem força de expressão.

Dessa vez, apesar dessas incertezas, a única certeza que eu tinha era a de que eu poderia e deveria procurar com calma, já que estava na casa da Clara e não tava pagando nada.

Comecei procurando quarto doppio, pra economizar. Mas acabei chegando à conclusão que uma diferença pequena de dinheiro só ia me arrumar sarna pra me coçar. Um dos maiores problemas que eu via em dividir o quarto com alguém era a questão do barulho: de eu ficar até tarde no skype e querer falar por voz, de eu precisar estudar ou dormir e a pessoa fazer barulho ou vice-versa. Mas o que me fez desistir mesmo foi eu pensar que isso poderia me atrapalhar para trabalhar no computador. Daí eu comecei a só ver anúncio de quarto singolo.

Teve um que era de uma brasileira que mora aqui há 13 anos. Trabalha fazendo limpeza em casa de família, falava português misturando muitas palavras e expressões em italiano. Ela tinha um cachorro fofo salsichinha. O quarto era arrumadinho, mas minúsculo (uns 2x3m). Achei que estava caro pra um quarto daquele tamanho e que por aquele preço eu conseguia coisa melhor.

Teve outro que era pra morar com uma colombiana. A localização era ótima, perto de onde tenho aula e também da mensa. O quarto era ajeitadinho, mas não tinha janela e a porta era sanfonada, aberta em cima. Não isolava em nada o barulho. Eu até achei que tudo isso era passável, quando lembrei que ela tinha um chihuahua, cachorro chato que latia sem parar enquanto eu tava lá (ele tava preso no quarto). Quando aquele cachorro começasse a latir eu não ia poder nem fechar a porta. Broxei.

Outro foi um húngaro que estava aqui na casa da Clara numa noite, era conhecido da colega de casa dela, a romena Neila (ou algo assim). A Neila é legal, o cara eu achei meio esquisito. Mas ele falou que tinha um quarto vago e estava alugando por 250 (que é MUITO barato pra quarto singolo), barato porque ele tinha um bebê e moravam eles dois e a mulher dele. Era um pouquinho longe, mas valia a pena olhar. Fui ver no dia seguinte: o quarto era até ajeitadinho, tinha uma beliche, armário, janela grande. Mas primeiro, a casa do cara fedia. O quarto não tinha mesa, mas ele falou que ia colocar. A porta era sanfonada sem tranca, ele falou que ia trocar. E começou a enumerar um monte de coisas que ia mexer, parecia que estava tentando me impressionar ou convencer, em um italiano bem ruim. Disse que a mulher com o filho estava viajando, mas o cara tinha cara de sujo, me atendeu sem camisa, disse que tinha acabado de acordar e não tinha nem lavado a cara.

Depois foi fazer um café e perguntou se eu queria. Eu disse que não, mas ele pôs a xícara mesmo assim e foi fazer o café. Depois trouxe um maço de cigarro e me ofereceu. Eu disse que não queria, ele insistiu como se eu estivesse recusando por educação, e eu fui ficando impaciente. Disse que não queria porque não fumava, e ele perguntou “ué, mas por quê?” Eu já fui finalizando a conversa e dizendo que tinha que ir embora, e ele foi olhar na geladeira alguma coisa pra oferecer, pegou um iogurte e pôs na mesa, mesmo eu dizendo que não queria. Eu levantei dizendo que tinha mesmo que ir embora e ia pensar sobre o quarto. Saí de lá aliviada, quase correndo. Só um pouco pesarosa, porque o quarto era bom e barato. Mas morar com gente louca, não mais.

O quarto que mais gostei, de todos que eu vi em Firenze desde o início, era um quarto grande e lindo, com uma mesona e janelão, super iluminado por ser no terceiro andar. Só que nesse, o esquema era diferente. Eu disse que estava interessada, ela pegou meu nome e telefone (e anotou algumas coisas sobre mim) e disse que iriam escolher até o dia seguinte, e ligaria. Tipo entrevista de emprego mesmo. Não ligaram.

Ainda bem, acho, porque no dia seguinte um cara de quem eu tinha visto um anúncio e mandado um e-mail me ligou, perguntando se eu ainda estava interessada e que era melhor eu ir ver logo, porque tinha mais gente interessada. Era um singolo de 260, ou seja, um achado. Eu fui na hora. O quarto estava meio feinho, não era muito grande mas também não minúsculo. Um tamanho suficiente. O quarto ser velho me fez querer pensar, mas eu resolvi que com um toque feminino ali, se resolvia. Não é em pleno centro, mas é próximo, e o mais importante: fica perto do Coop (o mercado barato).

Liguei pro cara no fim do dia e achei que estava tudo certo. Ele falou que me ligava no dia seguinte pra eu ir conhecer as outras meninas que moram lá também. Quando eu fui, ainda rolou um suspense. Eu chego lá e tem outro cara vendo o ap também. Depois ele foi embora, eu falei com elas, gostei delas, e eu achando que estava fechado, quando elas me dizem que iam escolher a pessoa até o fim da tarde.

Sabe quando você vai em uma entrevista e tem certeza que o cargo é seu, mas não dá pra saber ainda porque não confirmaram? Igualzinho. Pra minha alegria, logo que eu cheguei em casa me ligaram dizendo que tinham me escolhido e eu poderia mudar na sexta.

E é essa minha situação agora. Tomara que tudo dê certo até lá!

Cheguei

Isso era o que eu devia ter escrito 1 semana atrás, quando eu realmente cheguei na Itália de novo. Mas foi correria, procura-casa, estuda-pra-prova, internet-que-não-funciona-sempre, aí eu não escrevi nada.

Dessa vez a vinda foi bem mais tranquila. Foi tudo: só minha mãe e o Alex no aeroporto, o fato de eu já saber o que me esperava e não aquele “caminho rumo ao completo desconhecido” que eu sentia que estava tomando da outra vez, o serviço da Swiss que foi muito melhor…

Eu cheguei aqui, já sabia o que fazer e pra onde ir. Tudo isso facilitou muito, mas nem por isso tudo foi fácil.

Desde lá foram muitas pernadas procurando quarto pra alugar, as incertezas sobre os quartos (o medo de deixar passar um quarto não tão bom e depois só achar bagulho), o lugar provisório (de novo) em que eu tô, as minhas coisas ainda dentro de mala, estudar pra prova que depois eu fui mal. Tem horas que bate um desânimo, uma solidão.

Eu sofri a distância do Alex, da minha família, sofri a ausência da Junia que era minha irmãzinha aqui e a gente se acostumou muito uma com a outra. Ainda sofro, mas nessas horas de desânimo essas coisas pesam mais.

Agora que eu já achei lugar pra morar e já fiz a prova, dá pra começar a me organizar. Só falta eu me mudar na sexta, pegar minhas coisas na casa do Claudio e dar um jeito no meu novo quarto, na minha nova casa.

Ah, a primavera!

Eu já tinha eleito a primavera como a minha estação preferida, que ganhava por pouco do verão. Só não era perfeita porque, apesar das temperaturas mais agradáveis, chove muito, dando resposta à clássica pergunta “Ce tem broxove?“, e chuva só é legal quando dura 5 minutos e você está de biquini tomando sol num sítio, ou está em casa com uma pilha de filmes para ver e tranqueiras para comer.

Aqui em Fiorenza, na primavera e no outono o tempo fica uma delíiiicia, com dias lindos, muito sol e uma brisa fresca. A primavera ainda ganha do outono, porque traz a expectativa do verão, enquanto o outono nos faz lembrar que o inverno-maldito-de-3-meias-calças-3-casacos-e-3-cobertores está vindo por aí.

Mas não é só sobre isso que quero falar.

Tem vários estudos que falam da relação da nossa memória com os nossos sentidos, principalmente o olfato. Como os perfumes nos fazem lembrar de alguém, algum lugar ou uma época.

Pois bem. É incrível como a chegada do calor me faz lembrar quando cheguei aqui na Itália, o que eu estava sentindo, o que eu fazia. Cada nova sensação que reaparece com o calor que está vindo traz uma nova lembrança: entrar em uma loja e o lugar estar abafado, a água na minha bolsa ficando quente, até a sensação de chegar em casa suada, me sentindo suja e com a pele seca, louca por um banho. No inverno, o banho é quase sofrido, primeiro para tirar a roupa e entrar, depois desligar o chuveiro e sair. Agora não, é mais que prazeroso.

Mas estou fugindo da idéia. Estar quente de novo me traz de volta a sensação de não conhecer nada, de me sentir ainda meio perdida na cidade, um misto de empolgação e pavor. O albergue onde fiquei a primeira semana, a água que ficava quente em 10 minutos, as pessoas arrastando malas pela cidade, o meu pânico do primeiro dia. Aos poucos, com o calor tornando-se rotina de novo, essas memórias vão deixando de se associar às sensações do momento. Mas basta uma nova acontecer, para trazer tudo de novo.

Agora há pouco foi a primeira vez em meses que fui beber a água que estava na minha bolsa e ela estava morna.

Pay Day

Ié! Sábado é dia de receber meu piccolo “salário”, e o mais incrível foi a sensação de ganhar dinheiro, depois de 8 meses sem trabalhar!

É difícil explicar, porque as únicas palavras que me vêm à cabeça são clichezão, e eu odeio clichê, ainda mais zão. Mesmo sendo pouco, foi um dinheiro que eu ganhei aqui, com o esforço do meu trabalho, mas mais do que isso, um dinheiro que não tá saindo da reserva que eu trouxe (e que praticamente já acabou).

E mais ainda, me fez acreditar que eu posso conseguir trabalho, e me virar enquanto estiver aqui. Em agosto vai totalmente outro cenário, fim de férias, mas enfim, já tô conhecendo melhor o caminho das pedras.

Ontem foi o terceiro dia e comecei a pegar gosto pela coisa. Bom, não que seja tão prazeroso ficar andando debaixo do sol e repetindo quase a mesma coisa, mas tá sendo interessante pra mim, para exercitar a desinibição e me sentir mais confiante, ou pelas pessoas legais que a gente encontra, gente simpática, por cruzar com brasileiros, enfim, tudo tem seu lado bom.

E acima de tudo, a satisfação de estar trabalhando de novo, ganhando alguma coisa, mesmo que pouco, é a melhor.

Estudo, trabalho, lazer e muito cansaço!

Esta quinta-feira foi a maior correria! Começaram as aulas do segundo módulo, e já começou com visita a dois lugares: Santissima Annunziata e S. Maria Novella. Foram mais de 2 horas de pé, das 9h às 11h15.

De lá, saí correndo para chegar às 11h30 no Café Cardillac para pegar os panfletos, e aí fiquei até as 13h andando da Accademia pro Duomo, do Duomo pra Accademia, e ruas ao redor.

Fui pra casa morrendo de fome, fiz um macarrão rápido e depois de comer fui encontrar a Clara (a taiwanesa que morava comigo antes) na Accademia (sim, a mesma). Ela ainda não tinha ido lá ver o David do Michelangelo, e eu tinha combinado de ir com ela. Como lá eu não pago nada, posso ir quantas vezes quiser. iei!

Saindo de lá fomos até a Sinagoga, que era no meu caminho de volta, para a Clara ver porque também não conhecia. Nesse trajeto, antes paramos na minha faculdade para comer uns pães doces que ela tinha levado e dar uma descansada.

Cheguei em casa morta! Diferente do feriado de páscoa, os dias têm sido lindos.

Agora eu sou panfleteira

É galera, uma hora o dinheiro acaba, e o combinado era eu esperar o Alex ir embora para voltar a procurar emprego. Bom, foi o que eu fiz. Mandei vários currículos e deixei alguns pessoalmente nos lugares, e até consegui uma entrevista, mas por enquanto o que eu consegui foi distribuir panfletos para um café-bar. Como eu já estou “vendendo o almoço pra comprar a janta”, qualquer coisa tava bão.

Hoje foi o primeiro dia. É tranquilo, das 11h30 às 13h, de terça a sábado. Fico na Accademia ou no Duomo, na hora do almoço, pegando o povo que entra, que sai e que passa.

Não é lá grande coisa, mas fiquei feliz de conseguir. Levei meu currículo em vários museus também, e conversar com as pessoas me deu uma boa esperança de arrumar um emprego quando voltar.

Esse aí eu descobri porque colocaram um anúncio na porta. Isso é bem comum aqui, assim como é bem mais provável arrumar emprego pessoalmente do que com anúncios on-line, e geralmente as plaquinhas de “precisa-se” não ficam mais que 1 semana.

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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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