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Veneza – 1o dia

Bom, eu tinha que ver a Bienal de Veneza antes que ela acabasse no dia 22 de novembro. Então vim para Veneza.

O bilhete de trem que comprei saía da estação Firenze Rifredi – as saídas dessa estação são mais baratas do que de Santa Maria Novella-, então tive que pegar um trem de S.M. Novella até Rifredi e esperar lá pelo meu trem-mesmo.

Tudo certinho, ele chegou por volta das 17h30/17h40. Cheguei em Venezia Mestre às 20h30. Achei meu albergue, que não era muito longe da estação, o Hotel Giovannina. Era decentezinho, com exceção da privada quebrada e da internet wi-fi que era paga e cara. Em resumo, um lugar para dormir.

Comi os lanchinhos que tinha feito em casa, entrei na internet um pouco e fui dormir. O quarto já estava ocupado por 2 americanas que não quiseram papo. Tinha a beliche vazia, então peguei o lugar de cima; o de baixo era muito grudado no de cima. No meio da noite, chegou uma mulher que ficou na cama de baixo. A noite foi meio agitada com isso tudo.

Acordei, me arrumei e já fui para a rua. Peguei um chocolate quente na maquininha e lá fui eu pegar o ônibus para o Piazzale Roma, o ponto principal do centro da cidade, na ilha.

Chegando aqui, uns 15-20 minutos depois, fui procurar o outro albergue para deixar minha mochila. Feito isso, fui dar uma volta e depois me encontrei com as meninas – Junia, Holly e Rosangela – para irmos a pé até a Piazza San Marco.

O trajeto normalmente (diz-se que) leva 35 minutos, mas fomos fazendo paradinhas aqui e ali para fotos, comidas e doces. Chegamos à Piazza San Marco e eu e a Ro entramos na Basílica, enquanto as outras duas foram ver o resto lá fora.

Não podia fotografar na Basílica, e eu até consegui me segurar até ver dezenas de pessoas fotografando, com flash e barulhinhos de clic. Acabei sacando a minha máquina e tirando algumas fotos também (sem flash e sem barulhinho). É muito bonita! Acho que mais por dentro do que por fora. Eu perdi a bronca que eu tinha de igrejas, aprendendo a observar os ornamentos e arquiteturas com outros olhos.

Saímos, fomos procurar um restaurante bem longe daquele clima turí$tico e depois de nos perder, achamos por acaso uma osteria muito fofa com donos mais fofos ainda. Comi um penne alla putanesca com vinho artesanal da região do Veneto.

Da osteria fomos até Rialto, e depois voltamos para a estação, mas todo esse trajeto cheio de fotos e paradas… Tudo encanta em Veneza.

As meninas foram embora (elas estão hospedadas em Verona) e eu fui para o meu albergue sem pressa.

Chegando aqui, depois de uma certa confusão com a senhorinha da recepção (ela não achava meu nome na reserva… sorte que a mulher da manhã tinha deixado um papel com meu nome e o número escrito colados na minha mochila), consegui a chave do quarto. Naquele esquema: o seu quarto não fica aqui, fica ali do outro lado da rua… Argh! não gosto disso, mas vamos lá…

O quarto é pequeno, com 4 camas. Tinha uma japonesa já deitada lendo na cama (eram 19h). Ela disse que tinha que acordar às 5 da manhã para pegar o trem. Fui tomar banho e qual não foi a minha surpresa quando vi que o chuveiro ficava num cubículo onde só se tomava banho (não era um banheiro de verdade) e, pra piorar, a porta não trancava!

Aí me deu um tilt e eu pensei “vou ver como é o banheiro do outro andar”. Assim que eu saí vi que do meu lado tinha um… banheiro! de verdade! com privada, pia e chuveiro com box! “É aqui mesmo”. E consegui tomar um bom banho.

Depois disso, conversei um pouco com as meninas (agora tinha uma chinesa também) e vim descarregar as fotos e falar no skype. Falei um pouco com meu gatinho e daqui a pouco vou dormir. Amanhã quero aproveitar bem o dia, porque meu trem parte às 18h para Firenze.

Amanhã é dia de Bienal. A Bienal de Veneza! Ié!

FOTOS DE VENEZA – 1o dia

Nápoles – parte 2 (Pompéia)

Este post é continuação desse aqui.

Allora…
Combinamos de, no domingo, ir para Pompéia. Era o lugar aonde eu mais queria ir! Rá!

Puts, mil coisas. É incrível, é surreal, é maluco, é impressionante.

Diz o meu guia que Pompéia contou sobre a vida cotidiana romana mais que qualquer outra fonte histórica. Lá dentro, você entra no clima de 2 mil anos atrás.

Tudo impressiona. As ruas, os espaços que eram casas e lojas. As relíquias artísticas, ou melhor dizendo, as cópias dos originais que estão no Museu Archeologico di Napoli. As dimensões colossais da Casa do Fauno, a maior residência de Pompéia e a identidade do ilustre cidadão que a mantinha é ignorada. Os mosaicos e afrescos, produzidos com maestria. O tamanho da cidade. Os teatros!!!! O anfiteatro, o teatro pequeno (Odeon). O teatro grande eu não pude conhecer, não podia entrar.

Tudo impressiona, mas o que impressiona mais são as pessoas. Sim, aquelas pessoinhas cujos corpos foram conservados pelo material calcário do Vesúvio, depois que a lava se solidificou, em posições de desespero, pânico, horror. Adultos, crianças. São como uma espécie de múmia. Alguns têm expostas partes da ossatura, deixando visível o que de fato sobrou do corpo e tornando algumas visões ainda mais terríveis.

Mas não só isso. É meio surreal estar ali cara a cara com os cidadãos romanos da época. Porque é diferente de visitar túmulo. Um túmulo é um pedaço de cimento com um nome escrito. Ali estão as pessoas que viveram ali, e caminhando naquelas ruas dá para entrar no clima da Antiguidade e imaginar como as coisas eram.

Tem também o Lupanare, o bordel de Pompéia. É uma construção de dimensões mínimas, com alguns minicômodos que conservam até as “camas”, de pedra, e na entrada de cada cômoda há afrescos com posições sexuais ilustradas. No fundo, um espacinho também pequeno com a latrina.

Conclusão sobre Nápoles
Nápoles está para a Itália assim como o Rio está para o Brasil. Porque o carioca é o que mais se aproxima do estereótipo do brasileiro, a imagem que temos lá fora, de malandro, de viver a vida de uma certa maneira (não por acaso, já que foi essa a imagem que sempre exportamos, de Carmem Miranda a Tom Jobim). Da mesma forma, em Nápoles a gente vê o caos do trânsito, as pessoas que reclamam e retrucam umas com as outras nas ruas, umas chamando a atenção das outras quando estão fazendo algo errado.

No mesmo embalo, lá comi a pizza mais gostosa até agora, e se bobear o melhor sorvete (é que ainda não tomei um sorvete ruim, então tá difícil classificar… por enquanto eles variam de “deliciosos” para “maravilhosa e divinamente muito bons”). As pessoas são, no geral, mais afetuosas mesmo, apesar de tudo isso que eu falei. Enfim, a Itália é um caos. Às vezes bom, às vezes não.

…o que me faz lembrar de um episódio
Ficou tão grande que fiz um post à parte.

Aí vai mais uma vez, o álbum de fotos da viagem para Nápoles e Pompéia!

Nápoles – parte 1

Eu tenho muitas coisas para falar de Nápoles, então vou por partes. Porque é em Nápoles – já havia ouvido isso e confirmei – que estão os típicos italianos. Eu já explico.

Por que fui para Nápoles?
Porque o Andrea, o italiano que eu e a Junia conhecemos através do couchsurfing, é de lá e como ele ia visitar os seus, convidou a gente para ir junto.

Ida e volta
Ele disse que eram 5 horas de viagem, o que eu já tinha achado muito, mas a oportunidade era muito boa pra deixar passar né… Acontece que na ida tivemos alguns contratempos: ele errou a estrada para sair de Firenze, depois pegamos trânsito, e na última estrada tinha um acidente, que fez ele tentar desviar por outro caminho, desistir, voltar para a estrada e pegarmos ainda um pouco do trânsito causado pelo acidente. Fizemos ainda duas paradas e, no fim, foram 9 horas de viagem.

Na volta foi relativamente normal, pegamos um pouco de trânsito mais perto de Firenze, também paramos duas vezes, e levamos 7 horas. Bom, a minha teoria é que são 5 horas só de trem e olhe lá.

Chegamos
Acabamos chegando lá à 1h da manhã. Comemos a deliciosa comida da mãe dele (beringela à parmegiana, um polpetone com molho de tomate – que estava mais para um bolo de carne – e um omelete com couve ou algo assim) e fomos dormir mais de 2h. A gente dormiu num sofá-cama no quarto da irmã dele, que estava viajando. Era um apartamento muito fofo num bairro chamado Posillipo*, e – pasmem – a nossa janela dava vista para o Vesúvio! É como ir ao Rio e ter vista para o Cristo ou o Pão-de-Açúcar!

Primeiro dia
Estava todo mundo esgotado da viagem e acabamos acordando muito tarde. Era 12h30 quando saímos de casa e fomos conhecer o Parco Virgiliano, um parque que dá uma vista panorâmica para o Golfo de Nápoles. Tivemos sorte, porque fizeram dois dias lindos nesse fim de semana que passamos lá.

De lá andamos pelo “calçadão” até uma pizzeria e eu descobri que a pizza de Nápoles é muito melhor que a de Firenze (também pelo fato de ser mais parecida com a nossa pizza paulistana). Não por acaso, a pizza surgiu lá mesmo: pelo que dizem, foi um napolitano que criou. Andamos acompanhando o lindo por-do-sol, o mar e o Vesúvio.

Depois da pizza, andamos até o centro histórico. Passamos pela piazza que tem as estátuas dos sete reis e cujo nome não lembro, pela via Roma (cheia de lojas e de gente), onde fica a Galeria Umberto I (vale uma olhada na arquitetura do lugar). Andamos pelas ruazinhas estreitas, lugares lindos que parecem set de filmagem. Passamos pela via San Gregorio Armeno, uma ladeirinha famosa pelas lojas de artigos para presépio (eles levam isso muito a sério aqui!) e também outros artesanatos turísticos. Ruazinhas estreitas e não-pedonali, ou seja, onde carros e motos podem passar livremente.

E aí, o caos no trânsito
O próprio Andrea nos contou que, embora a prefeitura tenha tentado transformar as ruas do centro em exclusivas para pedestre, os logistas se movimentaram para não permitir, alegando que perderiam clientela. É bizarro, mas é fato: com todo inferno que é para estacionar e pegar trânsito, os italianos não abrem mão de ter carro, e em Nápoles parece que é pior a coisa.

Mais: o trânsito é caótico, em todos os sentidos. As pessoas não se respeitam, se xingam e dirigem como loucos. Motos fecham carros, motoristas não reduzem para os pedestres, consequentemente os pedestres não esperam o carro reduzir para atravessar, os carros freiam “em cima”: mas todos têm uma lição de moral na ponta da língua, quando o outro faz barberagem. É como uma cidade sem espelho.

É engraçado para quem vê de fora, mas eu não gostaria morar lá, não. Eu ficava lembrando daquela animação. Aquilo É Nápoles! heheh

Napolitanos
Apesar disso, no sul as pessoas têm um temperamento mais parecido com o nosso, são mais afetuosas e menos fechadas. Quanto mais ao norte, pior nesse sentido. A mãe do Andrea não sabia o que fazer para agradar, ficava feliz quando a gente comia a comida dela (não mais que a gente, porque a comida era muito boa!), e conhecemos a tia dele que mora ao lado, mais fofa ainda. Mais ainda, foi a única pessoa que nos cumprimentou com beijo e abraço logo de cara. Em geral, as pessoas se dão um aperto de mão.

Fim do primeiro dia
O Andrea queria sair para rever os amigos, mas no fim não deu certo e ficamos em casa. Foi ótimo, porque a gente estava bem cansada e tudo o que a gente queria era jantar e ir dormir. E assim foi. Comemos um macarrão ao forno com presunto cru e mozzarella fresca (que não se parece em nada com a nossa mussarela, só o gosto lembra um pouco – tá mais perto de uma mussarela de búfala). Depois que eu e a Junia fomos deitar, ainda ficamos um tempão conversando, como se tivéssemos 12 e 13 anos! hahahah

E as fotos de todos esses lugares você vê aqui.

*Posillipo era o nome de uma cantina italiana que tinha no Bexiga e que há muitos anos não existe mais. A gente ia bastante lá quando eu era criança.

Battistero

Foi o primeiro ponto turístico em que eu realmente entrei, então lá vai uma pincelada.

O Batistério de São João (Battistero di San Giovanni) faz parte do complexo do Duomo, que inclui também a Catedral de Santa Maria del Fiore (o Duomo, com a famosa cúpula de Brunelleschi) e o Campanile, entre os principais. É uma construção octogonal que simboliza o “oitavo dia”, em referência ao batismo, sacramento da iniciação da fé cristã em que o fiel se purifica dos pecados para a sua “nova vida em Cristo”.

É famoso principalmente por suas portas de bronze, que ilustram as passagens do Antigo e do Novo Testamento com esculturas de alto relevo. As portas do sul foram realizadas por Andrea Pisano e contam a história de São João Batista, que dá nome ao Batistério e é o patrono da cidade. As portas norte e leste são ambas de Lorenzo Ghiberti: as primeiras contêm cenas da vida de Cristo, enquanto as últimas, chamadas por Michelangelo de “As Portas do Paraíso”, exibem cenas do Antigo Testamento. Hoje, todas as que estão no Batistério são cópias; as originais se encontram no Museo dell’Opera di Santa Maria del Fiore, que fica atrás da Catedral.

No teto, mosaicos incríveis ilustram também trechos bíblicos. Três partes mostram o Juízo Universal e as outras se dividem para contar as histórias da Gênese e Adão e Eva, José, Maria e São João Batista. Grande parte dos pedaços de vidro dos mosaicos são, de fato, cobertas com uma camada de ouro.

Se não tiver eu na foto, fica parecendo foto de livro de arte!

Se não tiver eu na foto, fica parecendo foto de livro de arte!

Você pode ver todas as fotos aqui.

Ponte Vecchio? Ponte Velha?

Só em português isso aconteceu (acho)… Ponte em italiano é uma palavra masculina, ou seja, é “o ponte”, ou il ponte. E vecchio é velho. Daí que o nome da tal ponte em português na verdade é Ponte Velha. O povo do inglês tá acostumado a falar “the old bridge”, mas para nós acaba parecendo que o nome da ponte é Vecchio, como se fosse mesmo um nome ou sobrenome.

Tudo isso pra eu postar a minha foto do Ponte Vecchio. =)

Eu indo ver um quarto perto do ponte Vecchio...

Eu ia ver um quarto perto do ponte Vecchio... Aí parei um minutinho né?


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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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