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Praia finalmente!

Foi em janeiro de 2009 a última vez que fui à praia. Dois anos e meio. Na Itália, nunca. Ano passado, fui pro Brasil em maio e voltei só em setembro, ou seja, perdi todo o verão e não deu pra conhecer nem o Mediterrâneo, nem o Adriático.

Era pra eu ter ido pra outra lugar, outra praia. Mas aconteceram algumas mudanças de planos e eu achei que ia ficar sem ver a praia como tinha imaginado. Aí o Davide veio me chamar pra essa festa que ia ter na Cala del Leone, organizada por um couchsurfer de Pisa. A praia fica em Livorno, litoral da Toscana.

A idéia era fazer uma festinha na praia, com comes e bebes, dormir lá em barracas ou sacos de dormir e depois ir embora. Eu fiquei um pouco insegura com esse esquema todo meio maluco, ainda mais indo pra um lugar que eu não conhecia com gente que eu não conhecia, tirando um ou outro com quem troquei 2 palavras. Acabei indo, o Davide falou que levava a barraca. E eu pensei “uma noite eu sobrevivo”.

Tinha que ir de trem até Livorno. Lá, um pessoal iria esperar a gente de carro, pra chegar até a praia. Acabamos tendo que esperar gente que vinha em trens que chegaram atrasados e fomos chegar na praia depois de escurecer (eram só 15 minutos de carro). O lugar tinha um acesso bem rústico, primeiro se descia uma escadaria de cimento, até chegar nas pedras, onde numa parte tinham sido talhados degraus, e os últimos metros tínhamos que brincar de escalar, usando as pedras como degrau mesmo. Ainda bem que tinha bastante gente com lanterna, no final deu tudo certo.

Aos poucos todo mundo foi se ambientando, comemos, bebemos, depois chegou um com violão, foi legalzim. Depois eu fui dormir, ou tentar, porque a gente só tinha a barraca e mais nada, e o chão era todo de pedrinhas. Dormi mal pra caramba, as poucas 4 ou 5 horas que dormi. De manhã ainda estava fazendo um friozinho, conversei com um pessoal que já estava acordado e acabei cochilando mais um pouco depois.

Acordei já com o calor do sol, coloquei biquini e fui aproveitar a praia. Teve gente que foi embora cedo, aos poucos as pessoas foram indo, e eu tinha que ver com quem iria voltar. Algumas pessoas legais que eu tinha conhecido no dia anterior tinham ido embora, alguns maletas ficaram, e aí apesar de ser um lugar bem bonito e tal, e estar adorando estar na praia, eu comecei a ficar meio entediada, se arrumasse com quem ir embora até iria. A maioria tinha se programado pra ir embora até meio-dia. No fim, acabei fazendo amizade com um cara e uma menina que tinham chegado tarde pra festa e iriam embora mais tarde. Acabei ficando com eles e depois voltamos, lá pras 14h. Foi a melhor coisa que eu fiz, foi ótimo. O Davide foi embora com o último grupo de maletas, não tinha levado roupa de banho.

Peguei o trem às 14h10 com uma menina turca que está fazendo au pair, e um maleta-master que por sorte resolveu ficar no outro vagão quase a viagem toda. Cheguei em Firenze, aquele calor de meio de tarde, ah que delícia. Eu pretendia ler meu livro, depois pretendia sair pra tomar sorvete, e acabei capotada na cama, por causa da noite maldormida.

Foi ótimo ter ido! Apesar de vários maletas, conheci gente legal, conheci algumas histórias. Entrei na água do mar Mediterrâneo. Tomei sol. Muito bom!

Também esfolei meu pé naquelas pedrinhas, porque no começo é como uma massagem, mas depois de um tempo seu pé começa a ficar machucado e começa a doer quando você pisa!

Cala del Leone, era aqui que eu tava

Mediterrâneo!!

Pedrinhas. Trouxe algumas.

Fim de semana em Sansepolcro

No último fim de semana fui a uma festa que o pessoal do CS organizou, numa cidade da Toscana chamada Sansepolcro, na província de Arezzo. Começou na tarde de sábado e terminou na tarde do domingo.

Ops, falando assim parece que foi uma rave né? heheh Não, teve um intervalo de sono em algum momento, que não foi o mesmo para todas as cento e poucas pessoas, mas todos dormiram (ou algo parecido). A idéia era ter uma tarde de relax, um jantar que virou uma festa, depois passar a noite lá, tomar café-da-manhã, relaxar mais um pouco e voltar pra Firenze. Eu resolvi ir quase em cima da hora, porque ainda não sabia como seriam meus dias com a vinda do Alex pra Europa. Depois a Giaggia me disse que me emprestaria uma barraca se eu precisasse, eu consegui me organizar e vi que ia dar para ir.

A maioria chegou na tarde de sábado, eu por conta da minha carona cheguei só às 23h, aproveitei um pouquinho da festa e do (monte) que tinha sobrado do jantar. Fui com o Slim, um tunisiano radicado na Itália, cara gente boa. Eu já conhecia ele, o conheci na festa de Halloween no ano passado. Fomos eu, ele e a Daiana.

Quando chegamos lá, estava um frio de lascar. O lugar fica numa região serrana, a 1000m do nível do mar, e o frio que fazia lá já não está mais fazendo em Firenze. Tive que vestir todas as roupas que tinha trazido, incluindo uma calça jeans pescador por cima de uma calça bailarina. :-P

Bateu até uma preocupação por conta de dormir em barraca. Mas eu tinha levado meu edredom e mais um cobertorzinho, e acabou não sendo um grande problema. Acabei não conseguindo dormir por causa do agito, depois o barulho, e quando esse acabou, começou a clarear e os passarinhos a cantarem. E eu fiquei a noite toda naquela coisa de achar que não dormi mas que na verdade tirei vários cochilos, até que algumas pessoas — que também tinham dormido mal e acordado cedo — começaram a conversar lá fora, eu acordei de novo e desisti de tentar dormir. Eram 7h30 da manhã.

Uma delas era o Slim, e ele veio me dizer que gostaria de ir embora cedo porque tinha dormido pouco. Eu estava tranquila, pra mim voltar cedo não era ruim porque eu também tinha coisas pra fazer em casa, só me deu uma dozinha de ter aproveitado tão pouco da viagem, principalmente o dia naquele lugar, que era lindo. Mas carona é carona né? Foi na hora de entrar no carro que eu vi que mais 2 pessoas queriam voltar com a gente. Eu vi que o carro ia ficar apertado — e era 1h30 de viagem — e acabei pegando o lugar de um deles no outro carro, o do Roberto. Outro cara legal, que também já conhecia.

Fiquei feliz porque deu pra relaxar, tomar um sol, falar besteira. Ainda almoçamos o que tinha sobrado da comida, tirei mais fotos e fomos sair de lá às 3 da tarde. Sem dúvida valeu a pena, principalmente porque eu pude ficar!

Era uma casa bem grande, feita pra ser alugada mesmo. Tinha uns 5 ou 7 quartos, dizem eles com mais de 50 beliches. Tinha 2 salões e uma cozinha com fogão industrial. E lá fora, um espaço enooorme para colocar um monte de barracas.

Tem algumas fotos aqui.

5 dias e crise de ansiedade

Hoje eu acordei com uma quase crise de ansiedade. Medo, tristeza, vontade de chorar. E a mente acelerada, que me deixa com uma leve falta de ar e o estômago embrulhado.

Agora já passou. Quando estou assim, se eu acordar e ainda estiver com um pouquinho de sono (como quando a gente acorda às 7 mas pode dormir até às 8h), já não durmo mais. Começo a pensar em tudo o que tenho pra fazer, quenãovaidartempo, quevouemboraquevoupralongequenãovoltotãocedoquevouficarlongedoalexquenaovouverminhafamíliae

ARGH!

É assim que funciona uma mente acelerada de ansiedade. Aí eu tenho que rebobinar, baixar a velocidade, voltar até o início e reorganizar os pensamentos. Resolvê-los um a um. Outros, tenho que deixar guardados e não pensar neles. Daí o que eu dizia ontem sobre despedidas: quando olho pro Alex e penso que vou deixá-lo aqui, vem a tristeza. Então, tento não pensar nisso. Mas no aeroporto é inevitável, olhar para os rostos das pessoas e não pensar que estou indo embora.

Nessas crises, distração ajuda. Assistir a uma besteira qualquer. Concentrar-se nela, para esvaziar a cabeça. Às vezes que queria uma penseira igual à do Dumbledore.

Além disso, a ordem geral nesses casos é tacar o foda-se. Em geral esses pensamento vêm acompanhados de um “mas e se?”. “Mas e se não der certo? Mas e se o cartão de crédito não funcionar? Mas e se der problema com meu permesso? E se eu não passar na prova?” A resposta é sempre Foda-se. Quando eu fico assim, o Alex dá resposta pra todos os meus “mas e se?”. É incrível a capacidade dele de não se estressar com o que vem por aí. Não se pré-ocupar.

Hoje não adiantou pensar na fanta laranja. Mas passou. Vi Friends, depois vim estudar, o dia ficou mais quente. Afinal, o friozinho das 7 da manhã deixa qualquer um de estômago embrulhado, né?

É abril na Europa também!

Pois é, mal me acostumei a por um zero só depois do dois (2010) e já estamos no mês 4. O tempo está passando numa velocidade vertiginosa e tenho certeza que não é só pra mim!

O fim do frio começou, mas ainda não tanto quanto eu gostaria. Quando não precisei mais usar meia-calça por baixo da calça, quando tirei um cobertor da cama e quando vesti camiseta de manga curta pela primeira vez depois de meses, foram momentos memoráveis.

Depois de Roma veio Paris, e terminei meu, digamos, círculo de viagens, muito satisfeita. Dentre tantas coisas que eu realizei, uma das principais era conhecer um pouco da Europa sem pressa, o que de fato aconteceu. O mais gostoso foi que eu não tinha nenhum plano, mas acabei conseguindo — quase por acaso — visitar os lugares que mais queria: Londres, Liverpool, Dublin, Roma, Paris e, claro, Florença. Com exceção de Dublin, que não estava na minha lista de “obrigatórios” e foi uma agradável surpresa.

“Por acaso”, porque as oportunidades simplesmente surgiram, e isso é muito legal. A única que estava maaaais ou menos no plano era Londres, por causa da Amanda, mas nada é certo até que se compre a passagem. God bless Ryanair, by the way. É tosco, é low cost, o assento é apertado mesmo, a comida a bordo custa caro mesmo, os aeroportos que ela cobre são longe mesmo, mas é o que possibilita que a gente conheça a Europa uma vez estando aqui.

A princípio era para passar o natal com a Amanda e só, mas as promoções Ryanair acabaram fazendo a gente ficar lá 14 dias (o que tornou mais possível Liverpool) e depois rumar para Dublin (3 dias). Foi um pouco antes do natal que comprei as passagens para Paris para fevereiro, que estava só 2 euros. E foi um pouco antes de ir para Paris que apareceu a oportunidade de ir buscar os documentos de cidadania do Eric em Rieti, perto de Roma, e acabamos passando 2 dias lá. O que foi pouco, e vai me obrigar a voltar, ainda mais depois das aulas de história da arte romana.

Fui para Paris com o Alex mas voltei sem ele. Ele foi direto para a Bélgica, onde ficou 4 dias, depois voltou para Firenze, passou uma noite e foi embora. Então voltei de Paris, já assisti algumas aulas, mudei de casa (mas isso é assunto de outro post que ainda não fiz), esperei o Alex, me despedi do Alex, e só depois de tudo isso as coisas voltaram mesmo à rotina de antes. Ou uma nova rotina, já que agora eu estava morando com a Junia, num lugar completamente novo.

Estabelecida a nova rotina, comecei a frequentar de verdade as aulas desses semestre e me apaixonar por todas as 3 matérias: História da arte moderna, Arqueologia e história da arte romana, História medieval.

Foi nesse meio tempo que conheci a biblioteca de história da arte da Universidade de Firenze. Primeiro só ia passar na frente pra ver onde era. Depois só queria ver por onde entrava. Depois só entrei pra dar uma olhada no que tinha. E acabei ficando lá a tarde toda. Ah que sonho, uma biblioteca só de história da arte.

Aqui na Itália os dias oficiais de feriado são domingo (Pasqua) e segunda (Pasquetta), mas na faculdade o feriado durou de 1 a 7 de abril.

O feriado da páscoa marcou o fim da primeira metade do “semestre” e o fim de 2 dessas 3 matérias, ou seja, agora só vou ter aulas de 1 matéria até o fim do semestre (em maio).

E, com o tempo voando, pouco a pouco já estou entrando no espírito de contagem regressiva!

Roma

Roma surgiu nos nossos planos quase sem planejamento. Não muito diferente de Londres, Dublin, Paris, nos casos em que eu fui com o Alex, e Veneza, Siena e Nápoles, quando eu fui sozinha. De fato, nenhuma delas foi muto planejado, cada uma a sua maneira. Eu conto.

Acontece que o Eric, um colega do Alex, precisava que alguém buscasse um documento para a cidadania italiana dele, em Rieti, uma cidade próxima de Roma. Esse papo de eu ir buscar esse documento já rolava desde quando cheguei aqui e ainda não tinham começado as aulas.

Daí que o tempo passou, passou, o Alex veio, e no fim a gente acabou indo no começo de fevereiro, com a idéia de passar em Roma na volta. Foi o que fizemos! :-D

Foi uma surpresa pra mim, ter conseguido ver todo o essencial* em 2 dias (que era o que a gente tinha)! A gente comprou a passagem do ônibus turístico (citysightseeing), que é uma boa idéia quando se tem pouco tempo.

*Por essencial, entenda-se aquilo que eu não podia sair de lá sem ver. Cada um tem o seu, e esse era o meu:

EU FUI
- Santa Maria Maggiore: muito bonita – aprendi a apreciar igrejas
- Piazza San Pietro
- Musei Vaticani: Capela Sistina, afrescos de Rafael, esculturas romana antigas…
- Coliseu: de dia e de noite
- Piazza Navona
- Panteão: tava muito cheio! Imaginei bem maior. Mas é bonito!

EU VI
- O Capitólio, o Foro Romano, o Monumento a Vittorio Emanuele, o Arco de Trajano, o rio Tibre, o arco de Constantino, e muitas ruas bonitas.

O que mais?
- Um pub irlandês na esquina do albergue (The Druids Den Irish Pub) – perto da S. M. Maggiore
- Um bar de cervejas artesanais (Open Roma): o Alex ficou tagarelando com um dos barmen sobre – adivinha o quê – e no fim acabou ganhando uma!
- O albergue era meio tosco, mas conseguimos um bom preço por um quarto só pra dois. O que a gente pagaria para os dois num quarto coletivo é quase o mesmo que pagar um quarto privado. O primeiro era sem banheiro (mudamos de quarto de um dia para o outro, porque esse era barato mas só tinha disponibilidade para o 1o dia), mas honesto. O segundo era melhorzinho, tinha banheiro e batia sol, mas a água do chuveiro inundava o banheiro todo.

Ah, a gente foi também estorquido pelos “soldados romanos” do lado de fora do Coliseu. A lição é essa: se um cara vestindo uma fantasia com acessórios da 25 de março se oferecer todo sorridente para tirar uma foto com você, não tire. Porque foi assim:

A gente chegou no Coliseu e achou muito bonitinho aquele monte de caras vestidos como soldados romanos na praça do Coliseu. “Muito turístico da parte deles, promoverem a atração assim”. A gente tava lá olhando com aquela cara de “olha que bonitinho” quando eles rapidinho reparam em você e, muito amigáveis, se oferecem: “do you wanna take a picture?” Você, que já estava preparando a câmera, acha mais legal ainda tirar uma foto com ele do que só uma foto dele, e aceita. Ainda muito amigáveis, alguns colocam a espada na sua mão ou o capacete na sua cabeça. Tiram a foto, você fica feliz, e é aí que vem:

- 20 euro, please.

Daí que a Deinha responde em italiano:

- 20 euro? Alex, pode apagar então.
- Não, é que a gente tá trabalhando, blablabla, blablabla, blablabla…
- Sinto muito, a gente é estudante e está fazendo uma viagem low cost.
- Mas é que a gente blablabla, me dá então 5 cada um (10).
- Te dou 5 e basta, tá bom assim?

E foi assim que a gente pagou 5 euros por essa foto. Tem também essa aqui mais tosca.

Sabe, a gente acha justo até, eles realmente estão trabalhando, a gente acaba ficando com pena e acaba achando que 5 euros não é muito. Mas o que deixa a gente P da vida, se sentindo explorado, é que eles não dizem antes. Óbvio. E depois, por essa cara de cu, eu queria voltar lá e pedir meu dinheiro de volta.

Comida
Viagem low cost também satura a gente em uma coisa: a comida. Porque pizza e lanche são as alternativas mais baratas sempre, mas tem uma hora que a gente cansa de comer tranqueira. Você chega em casa doido por uma comida saudável!

Voltando pra casa
Aliás, viajar traz outra sensação gostosa, que é a de voltar pra casa. No meu caso, foi uma sensação um pouco, sei lá melancólica, porque eu ia voltar pra casa da Mimosa, a vacalouca que alugava o quarto pra gente. Mas essa vai ficar pra outra história.

Aqui tem o álbum inteiro de Roma.

Greetings from Ireland

A Irlanda foi a maior surpresa da viagem. Eu não achei que fosse curtir tanto!

A mudança de ares de Londres pra Dublin não teve lá muito impacto. Lá os carros também são com a mão ao contrário, eles também falam inglês. Mas ah, que alívio voltar a gastar em euro! (pois é…)

Em compensação, foi em Dublin que eu descobri o que era frio mesmo! Pelamordedeus!

Passamos 3 dias lá. O albergue que a gente escolheu era, na verdade, uma guesthouse. Foi, de longe, o melhor lugar em que já fiquei hospedada, e vale a dica: Hotel Elvis Presley. O preço por pessoa era o mesmo da maioria, mas num quarto individual e com banheiro. Tinha também café-da-manhã incluso (simples, mas muito gostoso e generoso) e wi-fi de graça, além de uma boa localização (25 min a pé ou 10 min de ônibus) e um funcionário muito fofo, que nos atendeu muito bem.

O primeiro dia em uma cidade desconhecida é único, principalmente em outro país. A gente compara tudo o tempo todo e é sempre uma surpresa: o que não tem no Brasil, o que é exatamente igual no Brasil; o que tinha também em Londres, o que não tinha; o que não tem na Itália; Dublin, Londres, São Paulo, Florença… todas as cidades por onde você já passou vêm à mente em inevitáveis comparações. É uma das partes mais ricas da experiência de viajar.

Os irlandeses me impressionaram pela simpatia e receptividade. Tinham a mesma educação dos ingleses, mas com um quê de bom humor. Não sei como, porque o que eu sei é que em Dublin chove quase sempre. Apesar disso, não pegamos chuva. Pegamos só neve no segundo dia. O primeiro e o terceiro estavam lindos.

Nesse segundo dia, a gente viu o que é uma cidade não-tão habituada à neve num dia de neve. Olha, deu trabalho pros guardinhas de trânsito! Porque tinha pequenas ladeiras em que os carros simplesmente derrapavam e não subiam! E dá-lhe a galera empurrando. Ou então, o povo tendo que frear 50m antes no sinal vermelho, porque o carro ia escorregando. E o mais engraçado, a neve nas calçadas que derrete um pouco e vira gelo, e o povo começava a cair no chão às pencas! O Alex caiu uma vez. Eu, quase. Tinha gente que ia andando segurando nos portões.

Bom, pegamos o bus tour – outra dica legal. Dá para conhecer os principais lugares de Dublin a pé? Dá. Mas o ônibus dá uma idéia boa de aonde ir, e o mais legal: os motoristas. Eles são os guias do percurso. Vão falando sobre os lugares e a história, e até cantam as músicas folclóricas de algumas delas. Divertido! Aí você escolhe que lugares quer visitar com mais calma e vai, depois, a pé.

Por falar em folclore, o que mais me cativou em Dublin foi a história. No City Hall tem uma aula completa. E eles exploram isso bem por lá. A gente encontra chaveiros de leprechauns, trevinhos e ovelhinhas em qualquer esquina. Mas tem também as lojas para turistas mesmo, abarrotadas de mil e um objetos com esses e outros temas irlandeses, incluindo a…

Guinness. Eu não gosto de Guinness, e quando me disseram “mas você precisa provar a Guinness na fábrica”, não foi exatamente isso que eu imaginei =). E, de fato, a Guinness que eu tomei lá, foi só lá. Não caí de amores por ela, mas com certeza foi a melhor. A visita é bem elaboradinha (tinha que ser, já que é paga). Não é uma visita à fábrica de verdade (para a decepção do Alex), é mais um tour pelo mundo Guinness, que abrange desde o processo de fabricação até a publicidade desde os anos 50. E com a entrada você ganha um pint.

Todos os pontos por onde passa o bus tour são recomendáveis. Mas a gente só tinha 3 dias e tivemos que escolher. Inclusive uma chatice é que, com o inverno, estava anoitecendo por volta de 16h30, e tudo fecha mais cedo também. Viajar na Europa no inverno tem dessas.

A “minha” Londres

A Londres que qualquer um pode visitar é uma. A “minha” foi muito melhor. Explico.

É que eu tive a alegria de ter ficado 14 dias em Londres hospedada na casa de uma pessoa muito querida: a Amanda. Ela é um dos meus amigos mais queridos, mas mais do que qualquer outro, é oficialmente minha irmã! hahahah Porque desde o senai as pessoas confundem a gente, seja por causa do nome ou do cabelo enrolado, ou de tanto confundirem outros achavam que a gente era irmã mesmo. A gente cansou e adotou o “parentesco”, e a amizade acabou sendo uma daquelas (poucas) que continuam firmes, fortes e frequentes.

Na casa da Amanda moram também o Alberto (o namorado dela) e o Justin (o melhor amigo dele), dois sulafricanos muito fofos, e essas três pessoas enriqueceram a nossa estadia com muito mais lembranças boas.

O Alberto é filho de portugueses, mas ainda não aprendeu a falar português. Os pais dele acharam que aprender inglês e africâner ao mesmo tempo já era bastante pra uma criança, então ele teve que arrumar uma namorada brasileira pra aprender de uma vez por todas =).

O Justin tem nome e cara de europeu, mas cresceu junto com o Alberto. Ficou muito feliz quando a gente fez um molho de tomate separado sem funghi pra ele e pro Alberto, porque eles odeiam. Ele entende tudo de tênis,  já que hoje é meio gerente de um dos departamentos da Lillywhites, a loja de artigos esportivos onde todos eles trabalham.

Todos eles, inclusive a Kátia e o Alan, namorado dela, que passaram o Natal com a gente. A Kátia trabalhava comigo na Grecco e quando falou que ia sair para estudar em Londres eu passei o contato da Amanda pra ela. Elas se conheceram, a Kátia acabou indo trabalhar na loja também e elas ficaram amigas! E lá estávamos nós, todas juntas no Natal em Londres. O mundo dá tantas voltas que as conexões entre as pessoas começam a dar nós, e chega uma hora que a gente não sabe mais como conheceu quem

O Alberto e o Justin não eram grandes bebedores de cerveja, então as degustações do Alex não renderam mais que alguns goles dos meninos, mas ele impressionou a Amanda com a cerveja de cereja. Por outro lado, foi o Justin que cativou o Alex com o que sabia sobre tênis, qual o melhor para cada tipo de atividade, de pé, de pessoa, de tudo.

Por falar em cativar, foram várias noites com bate-papos sobre globalização, computadores dominando o mundo e as pessoas, a vida em Londres, maconha, aulas de inglês, português e africâner. A Amanda e a fazendinha do orkut acabaram fazendo o Alex sair de lá viciado.

Eles trabalham bastante, e às vezes no final do dia eu tinha até vergonha de dizer que estava cansada (de turistar).

Duas vezes nós jantamos pratos típicos da cozinha londrina: uma foi fish and chips, a outra, comida indiana.

Nesses 14 dias a gente pôde conhecer Londres com calma, isso também foi muito bom.

O ambiente estava tão gostoso que eu não queria ir mais embora. Queria ficar com eles lá e alugar o quarto que ia ficar vago. Não queria voltar pra Itália da grosseria, da bagunça institucionalizada; não queria voltar pra Mimosa (minha nova coinquilina – um capítulo à parte que virá em breve). Eu cheguei a ficar preocupada em ficar tanto tempo enchendo o saco, mas foi tranquilo, acho que eles curtiram e a gente ficou bem à vontade. É muito mais do que não pagar albergue ou poder cozinhar. É chegar em casa e se sentir em casa. Priceless.

Não sei quando a gente vai se ver de novo, mas seja onde for, quero ter um espaço na minha casa pra hospedar gente querida assim.

Aqui tá o álbum do Natal.

Na frente Amanda e Alberto, atrás Alex, Justin, Alan, Kátia e io

A Londres obrigatória

Museus de graça com relíquias da história e da arte. Muitos, muitos musicais (e algumas óperas e ballets no meio).

Aí vai um resumo tosco da maravilha que é Londres para quem curte história E arte:

- British Museum: tem a rosetta stone, as relíquias “roubadas” do Parthenon de Atenas, os restos do mausoléo di Halicarnasso (uma das 7 maravilhas do mundo antigo), muitas relíquias das civilizações egípcia, mesopotâmica, assíria. [fotos aqui]

- National Gallery: Van Gogh, Monet, Rubens, Renoir, Manet, Goya, Velázquez, Cimabue, Bellini, Fra Angelico, Giotto, Turner, Gainsborough, Cézanne, Degas, Jan Van Eyck, Botticelli, muitos, muitos, muitos. [não paga mas também não pode tirar foto]

- Tate Modern: Warhol, Liechenstein, Pollock, Picasso, De Chirico, Braque, Chagall, Giacometti, Gris, Kandinsky, Klee, Léger, Miró, Mondrian, Calder. [também não pode fotografar, mas não resisti quando vi um Pollock]. Peguei ainda a obra temporária do artista polaco Miroslaw Balka, a Black Box.

- Natural History Museum: muuuito legal! dinossauros (esqueletos, réplicas que se mexem e fazem barulho), modelos em tamanho natural de várias espécies de animais (acho que todas hahah), lições sobre anatomia e fisiologia, muita aula de Pré-história e Ciências. As crianças piram, e os adultos também.

Essas são paradas obrigatórias e grátis, assim como o Buckingham Palace (a troca de guarda acontece dia-sim-dia-não no inverno e diariamente no verão, sempre às 11h30 da manhã), o Big Ben e o Parlamento, as feiras de rua de Portobello Road (antiguidades – fica no bairro de Notting Hill) e Camden Town.

Teve outros lugares muito interessantes que eu conheci:

- Freud Museum: fugindo dos nazistas, Freud se mudou para Londres, onde viveu o último ano da sua vida e onde a filha Anna Freud viveu até morrer em 1982. Na casa onde moraram (onde o consultório dele foi montado como o da Austria, e ele inclusive chegou a atender alguns pacientes lá) tudo foi conservado como era, e transformado em um museu.

- Templo hindu Shri Swaminarayan Mandir (Neaden Station): é um lindo templo hindu que pode ser visitado por gente de fora, com audio-guia e tudo. Pudemos inclusive acompanhar os rituais de oração. Não paga nada e vale a pena. Não pode fotografar dentro e todos têm que tirar os sapatos.

Londres, Londres…

As minhas primeiras impressões de Londres foram as melhores. Quase todas as pessoas para quem pedimos informação foram muito educadas e solícitas.

Quando eu vi o mapa do metrô eu quase chorei. O metrô de Londres é o sonho de todo paulistano!!! Você chega a qualquer lugar da cidade de metrô, aliás de ônibus também. Como tem muitas linhas e estações e conexões, raramente você pega ele lotado, mesmo em horário de pico. Se pegar, é por poucas estações, porque logo a maioria desce em alguma principal que faz conexão com outras.

Em contrapartida, é caro. Muito caro. Uma viagem custa 4 libras. O ônibus custa 2. Você pode comprar o Oyster Card*, que te dá viagens ilimitadas de ônibus e metrô por um determinado período. Uma semana custa 30 libras.
*Para turista, o Oyster é a dica master. Obrigatório. É caro, mas vale a pena. Você vai para todo canto sem se preocupar se vai pagar uma passagem a mais.

Eu confesso que senti um certo alívio indo para uma cidade grande. Depois de 4 meses morando em Firenze, com exceção de uma passada rápida em Nápoles eu não tinha tido outro contato com uma cidade grande.

Londres é uma São Paulo melhorada. Tem transporte público bom, o atendimento médico de emergência é bom, e é menor. E tem os educados ingleses.

Mas é verdade que é também uma Torre de Babel. Muitos, muitos estrangeiros. Muitos indianos, paquistaneses, chineses morando lá. Nas ruas você se acostuma a ouvir línguas diversas (um pouco como aqui em Firenze). Turistas? Brasileiros e italianos às pencas.

Difícil lá é comer bem gastando pouco. Nisso brasileiro sofre um pouco, porque a gente tem os restaurantes por quilo e os PFs. E como comer em restaurante sai caro, o que quem não tem dinheiro faz é recorrer não só aos fast-food (McDonalds, Burguer King, Subway), mas também aos lanches frescos que redes de supermercado vendem (Sainsbury´s, Tesco, Spar). Alguns são até bons, mas não depois de 15 dias quase só comendo isso. Nessa onda os mercados acabam vendendo também porções de salada, e assim os pobres mortais podem ter alguma opção. Esses lanches e saladas custam entre 1 e 3 libras. No Subway, entre 2 e 3,50 o pequeno. McDonalds, 5 e pouco o combo.

No penúltimo dia a gente achou um restaurante libanês perto do Museu de História Natural. Era gostoso e não caro. E metade do staff era brasileiro, heheh…

Juro que a vontade de não ir mais embora durou vários dias. Porque uma coisa que tem em Londres, mas em Firenze é muito escasso, é subemprego. Aqui, nem isso.

Só peguei 1 linha que tinha essa proteção que separa a linha da plataforma. A porta só abre quando chega o trem.

MIND THE GAP: fotos do metrô

Fotos da única linha que peguei que tinha a proteção separando a plataforma da via (foto acima).

A saga da chegada em Londres

Eu falei sobre a “gincana” que é viajar de avião hoje em dia, com tanta burocracia e preocupações com terroristas. Isso é genérico. Agora some a tudo aquilo viajar em companhia low cost, em período de neve. Pois é, a gente QUASE entra para as estatísticas de pessoas que tiveram que perderam vôo por causa da neve. Mas passamos de raspão.

Firenze > Primeiro em Firenze. Já chegamos em cima da hora para pegar o trem pra Pisa (de onde saem os vôos da Ryanair). Chegando lá, o trem estava atrasado em 40 minutos – por causa da neve. Pegamos o trem, tudo certo, e 1 hora depois chegamos em Pisa.

Pisa > A gente poderia ter pegado o trem que vai direto pro aeroporto, ou pegado o ônibus que vai da estação central pro aeroporto, ou ainda ter ido a pé porque são só 2km. Mas estávamos atrasados e tivemos que pegar um táxi (antes isso que perder o vôo, né).

Aeroporto > Chegamos no aeroporto e descobrimos que o vôo estava atrasado em 15 minutos. Ufa. No portão de embarque, o tempo passava e nada de abrirem o portão. E o horário da decolagem estourando.

Começam a por o povo pra dentro, a gente passou e… a fila para. Mais espera. Espera, espera, a fila começa a andar e entramos no avião.

Depois daquela agitação, todo mundo acomodado e o comandante avisa que, por causa da neve, o aeroporto de Stansted estava fechado, com previsão de espera de 1 a 2 horas a partir daquele momento. Pior. Se em 2h não pudéssemos decolar, o vôo seria cancelado. E só quem já viajou de low cost sabe como aqueles assentos são apertados. Classe econômica de companhia comum é fichinha!

Pegadinha do malandro > Alguns minutos depois, o comandante diz que decolaríamos em 5 minutos e todo mundo comemorou. Logo em seguida, ele disse que “a torre de comando” tinha cometido um erro e, na verdade, a espera era de 50 minutos. A torre, sei.

Entre todos esses atrasos, acabamos decolando 2 horas depois do marcado. Tínhamos comprado uma passagem de  ônibus (easybus.com.uk – 6 libras por pessoa) pra ir do aeroporto para o centro, perdemos.

No aeroporto de Londres > Tivemos que comprar a de trem (17 libras por pessoa). Não tinha mais guichê aberto, então compramos na maquininha. Só lá embaixo fomos descobrir que não tinha mais trem para a estação de metrô aonde deveríamos ir (Victoria), e ainda assim, àquela hora o metrô já estaria fechado, para chegar na casa da Amanda.

Era meia-noite quando pegamos aquele trem mesmo e descemos em Liverpool Street. Daí pra frente, a Amanda ficou como uma “controladora de vôo” vendo na internet que ônibus podíamos pegar pra chegar até ela. Pra nossa sorte, Londres tem várias linhas noturnas. No fim, tivemos que pegar 2 ônibus (o segundo demorou meia hora pra passar, e bem nessa hora começou a nevar… ai que frio!).

Fomos chegar na casa dela umas 4h30 da manhã.

Avião low cost é assim...

As primeiras fotos estão aqui.

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Blog criado para contas as minhas aventuras em Florença, Toscana, Itália. Para quem ficou no Brasil poder viajar um pouquinho comigo, e eu com eles.

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